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Final da Liga dos Campeões no Porto para apagar "vergonha" de Lisboa

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De  Francisco Marques  com Lusa
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Final da Liga dos Campeões no Porto para apagar "vergonha" de Lisboa
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O Estádio do Dragão, no Porto, é o eleito da UEFA para a final da Liga dos Campeões, a segunda consecutiva disputada em Portugal depois do triunfo do Bayern de Munique, em agosto, sobre o Paris Saint-Germain, no Estádio da Luz, em Lisboa.

O duelo 100% inglês entre o Manchester City e o Chelsea na Invicta é visto pelo presidente do FC Porto, o clube anfitrião, como "uma prova de confiança da UEFA na estrutura do clube", mas é também "importante para o futebol português, para a cidade e para o país", em especial depois do que se passou na capital com a festa do título nacional ganho terça-feira pelo Sporting.

Demonstra que em Portugal se consegue realizar grandes eventos mesmo em pandemia.

"Depois da vergonha a que se assistiu em Lisboa há dois dias [terça-feira, 11 de maio], é necessário desmanchar essa má imagem que Portugal deu, que as autoridades em Lisboa deram, pois permitiram que houvesse aquela cena degradante em termos de defesa da saúde pública.
Jorge Nuno Pinto da Costa
Presidente do FC Porto

Na época passada, o impacto da pandemia ameaçou cancelar a Liga dos Campeões, mas a UEFA e o governo português viram a conseguir organizar uma fase final inédita, com as oito equipas finalistas a realizarem os derradeiros duelos em diversos estádios de Portugal, no decorrer do mês de agosto.

Agora, é de novo a Covid-19 a empurrar a final para Portugal. Na sexta-feira, o governo britânico decidiu incluir três países na lista vermelha da pandemia devido ao respetivo aumento das infeções pelo SARS-CoV-2 e, ao lado do Nepal e das Maldivas, surgiu a Turquia.

A final deste ano estava marcada para o Estádio Atatürk, em Istambul, mas com esta inclusão da Turquia na lista vermelha, quem se deslocasse a Istambul para ver a final teria de cumprir uma quarentena de 14 dias no regresso ao Reino Unido.

A medida levou a UEFA a procurar alternativas e o governo de Boris Johnson chegou a propor organizar a final em Wembley.

O problema é que, por Inglaterra estar agora fora da União Europeia e com medidas exclusivas para autorizar a entrada de estrangeiros, a UEFA não chegou a acordo com o executivo britânico para serem concedidos vistos especiais para os funcionários do organismo e para os patrocinadores poderem entrar em Londres sem terem de cumprir quarentena.

A candidatura da cidade do Porto acabou por ser assim a eleita, tendo a Federação Portuguesa de Futebol e as autoridades portuguesas agido de forma célere para apresentar todas as garantias necessárias para acolher jogadores e adeptos, e realizar a final, revelou a UEFA, em comunicado.

Penso que todos podemos concordar que esperamos nunca mais viver um ano como este último que passou.

"Os adeptos tiveram de sofrer mais de 12 meses sem terem a possibilidade de ver futebol europeu ao vivo, e a presença na final da Champions League é o ponto alto para os finalistas.

"Privar os adeptos dessas equipas de verem o jogo ao vivo não era uma opção e estou satisfeito por termos chegado a um entendimento.
Aleksander Čeferin
Presidente da UEFA

A lotação do Estádio do Dragão para esta final está a ser agora alinhavada pelos organizadores e deverá ser confirmada em breve, acrescenta a UEFA, sabendo-se que pelo menos 12 mil adeptos poderão estar no recinto, sendo que cada clube finalista tem direito a 6 mil bilhetes.

"Lado positivo" da exigência da UEFA

Para Pinto da Costa, em declarações ao Porto Canal, a realização da final em Portugal "tem outro lado positivo". "Ao exigir a UEFA público no estádio, e com toda a razão porque não há nenhum motivo para que isso não acontecesse, levou a que agora o Governo autorizasse que haja público nos estádios na última jornada do campeonato para apanhar a boleia e não ficar cada vez mais desacreditado", disse o líder portista.

A decisão anunciada esta semana pela Direção Geral de Saúde de permitir público até 10% da lotação dos estádios, na derradeira jornada do campeonato, é, no entanto, apontada como "oportunista" por Pinto da Costa.

"Eu reprovo porque vai contra a verdade desportiva, pois cria uma desigualdade entre as equipas que jogam em casa e as que jogam fora. Há jogos importantes, decisivos, e há equipas que vão ter apoio e outras não. Isto é colocar as equipas e os clubes em desigualdade. Se serve para limpar esta atitude estúpida de permitir que haja milhares de pessoas em todos os espetáculos em recintos fechados e no desporto não seja possível. É realmente lamentável que não se defenda a verdade desportiva e que não tenham feito pelo menos nas duas últimas jornadas para que todos os clubes pudessem ter a oportunidade de ter o apoio do seu público", afirmou o presidente do FC Porto.

Apenas a visita do Benfica ao Vitória de Guimarães vai manter-se à porta fechada porque os vimaranenses foram sancionados com três jogos à porta fechada e a receção às "águias" na derradeira jornada será o segundo.