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O impacto da pandemia na Amazónia peruana

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De  Euronews
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O impacto da pandemia na Amazónia peruana
Direitos de autor  ANDRE PENNER/AP

No coração da Amazónia peruana, a pandemia colocou hospitais em colapso e milhares de crianças ficaram também sem acesso à educação, as escolas fecharam.

Este é Punchana, um bairro pobre da capital da região, Iquitos. A maioria não usa máscara e os menores brincam em água fétida. O Governo criou um sistema de educação à distância através da rádio, televisão e internet, mas famílias como a de Nathalie não têm estes meios. Dados oficiais indicam que uma em cada cinco crianças não pode ser educada através do ensino à distância aqui na região de Loreto.

O abandono escolar cresceu onze por cento... para 29%, segundo Unicef, um cenário que pode conduzir a mais pobreza.

"Não sou profissional. Não completei a primária ou a secundária... e não posso ensinar o meu filho nos trabalhos de casa. E isso preocupa-me porque não quero que o meu filho seja como eu. Quero que o meu filho tenha sucesso, pelo menos que tenha estudos para se poder defender. Não como eu", diz Nathalie.

Nas comunidades na Amazónia profunda, a situação é pior. Não se pode utilizar rádios pessoais, pois não há eletricidade.

Por esse motivo, o padre Miguel Fuertes encorajou a estação de rádio da igreja a transmitir o programa educativo em AM e impulsionou o fabrico de cinco mil rádios que funcionam a energia solar, distribuídos nas regiões mais remotas.

A vida aqui não é como nas cidades.

"Ordenam-nos que lavemos as mãos quando não há água. Quando se tem de comprar água, para cozinhar e beber. Então, onde lavamos as mãos? Dizem-nos para ficarmos em casa, para não sairmos, quando temos uma casa de 15 ou 20 metros quadrados e vivemos com 6, 8 ou 10 pessoas. Dizem-nos para ficarmos em casa, quando trabalhamos no dia-a-dia", diz Miguel Fuertes.

A Igreja também angariou fundos para adquirir cinco máquinas de fabrico de oxigénio, como esta. Aliviou a escassez numa região traumatizada pela pandemia.

O repórter da Euronews, Héctor Esterpa, diz que a variante brasileira chegou a Iquitos pelo rio e as autoridades receiam que novas variantes surjam do país vizinho. A grande esperança é a vacinação, mas não vai ser fácil na Amazónia. Muitas comunidades estão desconfiadas das vacinas e, além disso, a logística vai complicar a chegada aos locais mais isolados".