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Jair Bolsonaro resgata "Copa América" após rejeição da Argentina

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Maracanã, no Rio de Janeiro, pode voltar a receber a "Copa América" dois anos depois
Maracanã, no Rio de Janeiro, pode voltar a receber a "Copa América" dois anos depois   -   Direitos de autor  AP Photo/Felipe Dana, Arquivo
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A "Copa América" foi transferida da Argentina para o Brasil, anunciou a Confederação Sul-Americana de futebol (Conmebol).

As cidades sede, as datas e a eventual presença de público nas bancadas estarão ainda a ser acertadas entre as autoridades brasileiras e desportivas do continente.

A prova já ´tinha sido retirada da Colômbia, onde deveria ter este ano alguns jogos, devido à insegurança naquele país e agora foi a Covid-19 a levar a Argentina também a recuar a cerca de duas semanas do pontapé de saída: os primeiros jogos estavam marcados para 13 de junho.

Pelo Twitter, a Conmebol agradeceu ao Presidente Jair Bolsonaro e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) por abrir as portas do país para o que garantem ser "o evento desportivo mais seguro do mundo".

A decisão surgiu horas depois de o Governo argentino ter fechado os respetivos estádios à competição devido à situação pandémica complicada que se vive, não só em Buenos Aires, mas em todas as cidades argentinas que iriam receber a prova.

O governo do Brasil demonstrou agilidade e capacidade de decisão em um momento fundamental para o futebol sul-americano.

"O Brasil vive um momento de estabilidade, tem comprovada infraestrutura e experiência acumulada e recentemente se organizou uma competição desta magnitude.
Alejandro Dominguez
Presidente da Conmebol

Desta forma, Lionel Messi, Di Maria e Otamendi vão ter agora de viajar para o Brasil, onde jogaram esta mesma Copa América em 2019, acabando eliminados nas meias finais diante dos anfitriões, num jogo marcado por um passeio de Jair Bolsonaro junto ao relvado, ao intervalo, numa atitude que terá irritado Messi, lê-se em crónicas da partida, motivando inclusive uma queixa da Federação argentina.

O problema agora, no entanto, é a crise pandémica, sendo o Brasil o país mais afetado pela Covid-19 na América do Sul e o terceiro pior do mundo (16,5 milhões de casos confirmados e 461 mil mortos).

Jair Bolsonaro tem sido muito criticado pela gestão da crise sanitária do país e arrisca agravar a contestação.

A decisão de resgatar a organização da "Copa América" rejeitada pela Argentina levou os especialistas médicos e a oposição política a acentuaram as críticas à gestão da Covid-19.

O antigo deputado e ex-candidato presidencial Ciro Gomes, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), exigiu pelas redes sociais à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à gestão da Covid-19 para "agir preventivamente" e convocar "o presidente da CBF e as autoridades desportivas para saber quais os cuidados que serão tomados para a realização da 'Copa América'".

"Bolsonaro demora meses para responder ofertas de vacinas contra Covid, mas leva horas para aceitar que a Copa América aconteça no Brasil. Prioridades bem definidas de um governo genocida!", acrescentou Ciro Gomes numa outra publicação.

Os recentes protestos contra o Presidente que se têm realizado nos últimos dias deverão entretanto agravar-se, numa altura em que a média de mortes diárias no Brasil ligadas ao SARS-CoV-2 continua a rondar as duas mil.

Editor de vídeo • Francisco Marques