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Reino Unido repõe quarentena obrigatória para quem viajar de Portugal

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Cadeiras vazias em praia de Albufeira, no Algarve
Cadeiras vazias em praia de Albufeira, no Algarve   -   Direitos de autor  AP Photo/Ana Brigida
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O Reino Unido voltou a retirar Portugal da lista verde de destinos de viagem e, a partir de terça-feira, quem viajar para Inglaterra fica obrigado a cumprir uma quarentena profilática de 10 dias.

A medida não caiu bem no governo português. O Ministério dos Negócios Estrangeiros reagiu afirmando que a lógica desta decisão britânica "não se alcança" e garantiu que o país "continua a realizar o seu plano de desconfinamento, prudente e gradual". "Com regras claras para a segurança dos que aqui residem ou nos visitam", lê-se ainda na declaração partilhada pelas redes sociais.

Do lado britânico, o ministro dos Transportes, Grant Schapps, deu duas justificações para a decisão do Reino Unido.

"É, de facto, uma decisão difícil de tomar, mas no final observamos dois problemas que nos causaram preocupação. Um é a taxa de casos positivos que praticamente duplicou desde a última atualização em Portugal. E a segunda foi a deteção de um género de mutação do Nepal da chamada variante indiana. Nós não sabemos se essa mutação pode ser neutralizada pelas vacinas e simplesmente não queremos correr o risco", afirmou o ministro britânico.

Os receios do Reino Unido estarão ligados à recente polémica surgida em Portugal com os trabalhadores sazonais no Alentejo, nomeadamente com o surto de Covid-19 identificado em Odemira.

João Paulo Gomes, responsável pelo Núcleo de Bioinformática do Departamento de Doenças Infeciosas do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, referiu na SIC Notícias haver pouco mais de 70 casos em Portugal da variante indiana agora conhecida como Delta.

O especialista acrescentou que estes casos da Delta incluirão uma dezena de casos com a mutação agora referida como nepalesa, mas sem motivo para qualquer preocupação extra, assegurou.

A Delta é atualmente a variante do SARS-CoV-2 dominante no Reino Unido e há suspeita de ser mais resistente às vacinas e com estudos a sugerir ser duas vezes mais suscetível de provocar doença grave de Covid-19.

Lógica ou não, a decisão do Reino Unido é um duro golpe para o turismo português, Açores e Madeira incluídos, que via no mercado britânico uma das tábuas de salvação para a retoma do setor este verão.

Revolta no Turismo

Operadores turísticos e dirigentes de companhias aéreas criticaram o Governo britânico por retirar Portugal da “lista verde” de viagens internacionais, receando que o setor do turismo continue sujeito a restrições da pandemia covid-19.

"Este último anúncio é mais um retrocesso para o nosso setor”, lamentou o diretor da operadora TUI UK, Andrew Flintham, avisando que “vai causar danos incalculáveis à confiança dos clientes".

O presidente-executivo da transportadora easyJet, Johan Lundgren, considerou “chocante” a decisão de adicionar Portugal à lista amarela e "uma grande desilusão para aqueles que estão atualmente em Portugal e para aqueles que reservaram um encontro com os seus entes queridos, ou uma merecida pausa neste verão”.

"Com taxas [de infeção] portuguesas semelhantes às do Reino Unido, simplesmente não se justifica pela ciência”, acrescentou.

Para o presidente-executivo da Virgin Atlantic, Shai Weiss, o sistema de semáforo criado pelo Governo britânico para classificar os países de acordo com o risco é claro nem dá confiança aos consumidores e empresas.

"Ainda não vimos orientações claras e transparentes sobre a metodologia e os dados nos quais o governo está a basear estas decisões. Não devia ser um segredo de Estado”, referiu.

Na sua opinião, “esta abordagem excessivamente cautelosa está a falhar em colher os dividendos do programa de vacinação bem-sucedido do Reino Unido”.

Portugal, incluindo os arquipélagos da Madeira e Açores, vai deixar a "lista verde” de viagens internacionais do Governo britânico na terça-feira às 04:00, anunciou o Ministério dos Transportes britânico.

Segundo o Ministério, Portugal passa para a “lista amarela” para "salvaguardar a saúde pública contra variantes preocupantes" e proteger o programa de vacinação britânico.

Num comunicado, refere que, de acordo com a base de dados europeia GISAID, foram identificados em Portugal 68 casos da variante B1.617.2, identificada pela primeira vez na Índia, denominada pela Organização Mundial de Saúde por variante Delta, "com uma mutação adicional potencialmente prejudicial”.

A direção geral de Saúde de Inglaterra (Public Health England) está a investigar esta variante e a mutação para perceber melhor se pode ser mais transmissível e mais resistente às vacinas.

Os países na “lista amarela” estão sujeitos a restrições mais apertadas, nomeadamente uma quarentena de 10 dias na chegada ao Reino Unido e dois testes PCR, no segundo e oitavo dia, como já acontece com a maioria dos países europeus, como Espanha, França e Grécia.

A "lista verde” isenta de quarentena os viajantes que cheguem a território britânico, enquanto a “lista vermelha” exige quarentena de 10 dias num hotel designado, além de dois testes PCR.

Editor de vídeo • Francisco Marques

Outras fontes • Guardian