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"Estado da União": Macron, Bielorrússia e prisão de Mladić em destaque

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"Estado da União": Macron, Bielorrússia e prisão de Mladić em destaque
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Os políticos vivem a vida de forma perigosa. Regra geral estão protegidos, mas quando contactam com o público, em particular durante campanhas eleitorais, tudo pode acontecer. Foi o que se verificou esta semana, durante uma visita à região de Drôme, no sul de França.

O presidente Emmanuel Macron foi agredido com uma bofetada por um anarquista quando se dirigia a habitantes locais, para os saudar. Mas não foi caso único.

Durante a campanha para as presidenciais de 2012, François Hollande ficou coberto de branco ao ser agredido com um saco de farinha. Em 2017, foi a vez do antigo primeiro-ministro François Fillon.

Macron desvalorizou o incidente, dizendo tratar-se de um ato isolado e absurdo. Mas lembrou que não há espaço para a violência na arena pública.

Episódios deste tipo tornaram-se comuns em democracias em que o contacto público faz parte dos atributos profissionais do líder político.

No entanto, em países como a Bielorrússia, as coisas funcionam de forma diferente. Nas eleições, o vencedor tem sido sempre o mesmo: Alexander Lukashenko. Por temer o contacto com o público no ano passado tomou posse à pressa, com o caminho livre de intervenientes.

Entretanto, no terreno, continua a repressão à oposição para assegurar que ninguém perturba a ordem instalada por Lukashenko.

O Parlamento Europeu debateu a situação na Bielorrússia esta semana e ficou claramente o lado dos cidadãos do país.

"É improvável que consigamos parar Lukashenko e Putin de violarem a soberania da Bielorrússia nas tentativas de formar o chamado 'Estado de União.' Mas temos de compreender as expectativas do povo bielorrusso em relação à União Europeia e deter o regime de Lukashenko de impor sanções setoriais mais amplas", sublinhou o eurodeputado lituano do grupo Renovar a Europa, Petras Auštrevičius.

Condenação à prisão perpétua de Ratko Mladić

Esta semana, o antigo chefe militar dos sérvios da Bósnia, Ratko Mladić, viu ser rejeitado o pedido de recurso à condenação de 2017 por crimes de guerra, contra a humanidade e genocídio.

Dito de outra forma, confirma-se a pena de prisão perpétua.

Depois do anúncio do veredicto estivemos à conversa com o Procurador-chefe das Nações Unidas Serge Brammertz. Começámos por perguntar se Mladić mostrou alguma reação emocional.

Serge Brammertz, procurador-chefe das Nações Unidas para crimes de guerra na ex-Jugoslávia - Não reagiu de forma alguma. Teve quase a mesma atitude que durante grande parte do julgamento.

Stefan Grobe, Euronews - Durante o processo, mostrou algum sinal de arrependimento?

Serge Brammertz, procurador-chefe das Nações Unidas para crimes de guerra na ex-Jugoslávia - Não. Teve uma atitude bastante parecida como a que teve durante as guerras, de muito desdém. Uma atitude quase agressiva com as vítimas, com os sobreviventes sentados na galeria. Penso que o Mladić que vimos em tribunal é praticamente a mesma pessoa que que distribuía doces pelas crianças, que dizia a milhares de soldados e civis que poderiam juntar-se às famílias dentro de pouco tempo, apenas para os executar brutalmente alguns dias depois em Srebrenica.

Stefan Grobe, Euronews - Mencionou as famílias das vítimas. Esta decisão pode acabar com as divisões que persistem nos Balcãs?

Serge Brammertz, procurador-chefe das Nações Unidas para crimes de guerra na ex-Jugoslávia - Decididamente, é uma decisão importante para as vítimas e para os sobreviventes. O que realmente precisamos é de reconciliação. Todos sabemos que atualmente estamos longe de uma reconciliação de sucesso na região. Há negação do genocídio, glorificação de crimes de guerra em todo o lado, se assim de pode dizer. O que realmente esperamos é que os responsáveis políticos aceitem esta trégua judicial e não considerem mais Mladić como um herói, mas antes pelo que realmente é: um criminoso de guerra condenado. Penso que se quisermos dar uma oportunidade à reconciliação, a responsabilidade por crimes passados é extremamente importante.

Stefan Grobe, Euronews - O Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia deixou formalmente de existir. Olhando para trás, está satisfeito com o trabalho ou há alguma coisa que poderia ser melhorada?

Serge Brammertz, procurador-chefe das Nações Unidas para crimes de guerra na ex-Jugoslávia - Se olharmos para trás desde 1993, 161 indivíduos foram indiciados e mais de 90 foram condenados. Indivíduos de todos os lados. Penso que o tribunal não conseguiu muito em relação à responsabilização por crimes cometidos na ex-Jugoslávia, mas é apenas um capítulo na tentativa de servir à justiça tanto quanto possível. Contam-se 161 casos. Casos importantes como Radovan Karadžić, Mladić e outros, mas só em Sarajevo, existem mais de 500 casos ainda em curso em relação a mais de 3 mil indivíduos. Por isso, embora a nível internacional estejamos próximos de um capítulo importante, por um lado, por outro ainda há um capítulo aberto por muitos, muitos anos e milhares de vítimas ainda à espera que se faça justiça na Croácia, na Sérvia e na Bósnia-Herzegovina.