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Eleições arménias na sombra da guerra

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De  Ricardo Figueira  & Astrig Agopian
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Campanha eleitoral na Arménia
Campanha eleitoral na Arménia   -   Direitos de autor  Areg Balayan/Areg Balayan
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A Arménia prepara-se para ir a eleições debaixo de um clima de tensão, meses depois da guerra com o Azerbaijão no enclave de Nagorno-Karabakh. Numa aldeia junto à fronteira entre os dois países, encontramos Nver, um agricultor que garante que não vai votar no partido do primeiro-ministro Nikol Pashinyan, depois de ter perdido uma boa parte das culturas de trigo durante os conflitos: "64 hectares da nossa aldeia foram tomados pelo Azerbaijão. Estou desapontado, porque votei em Pashinyan, na esperança de ver as coisas melhorar para os agricultores. Em vez disso, tudo piorou", conta.

Depois da guerra no ano passado, a crise na fronteira com o Azerbaijão tem vindo a agravar-se, já que não existe uma delimitação oficial e os episódios de tensão são frequentes. Muitos dos habitantes desta zona andam armados para se defenderem. Quanto ao apoio ao governo, estão divididos, Aravush Hayrapetyan, militar na reserva, continua a acreditar em Nikol Pashinyan: "Ele não é um traidor, fez bem em assinar o cessar-fogo, salvou milhares de vidas. Se não fosse ele, não estaria aqui agora com o meu filho, não continuaria a defesa, A nação arménia vai renascer com a reeleição de Pashinyan", diz.

Nas últimas sondagens, a coligação "Meu Passo", de Pashinyan, está em quase igualdade com a Aliança Arménia, liderada pelo ex-presidente Robert Kotcharian. Há mais de 20 listas a disputar estas eleições e a instabilidade persiste, sobretudo no sul do país, zona ocupada por cerca de mil militares do Azerbaijão.

Três anos depois da Revolução de Veludo que o levou ao poder, Nikol Pashinyan enfrenta mais desafios do que nunca. A delimitação das fronteiras é um fator decisivo para as eleições de 20 de junho.