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Jair Bolsonaro perde o 16.° ministro: Ricardo Salles deixa o Ambiente

De  Francisco Marques
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Bolsonaro e Salles eram dois muito próximos no governo do Brasil
Bolsonaro e Salles eram dois muito próximos no governo do Brasil   -   Direitos de autor  AP Photo/Eraldo Peres
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O Brasil mudou esta quarta-feira de ministro do Ambiente. Ricardo Salles pediu a demissão e Jair Bolsonaro aceitou a saída do 16.° ministro do executivo, promovendo para o lugar o até aqui secretário para a Amazónia e Serviços Ambientais, Joaquim Pereira Leite.

O agora ex-ministro estava a ser alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal e investigado pela Polícia Federal por suspeitas de ter favorecido madeireiros e poder estar implicado num esquema de contrabando de madeira.

Muito criticado por ambientalistas pelo desmatamento recorde na Amazónia, Ricardo Salles pediu esta quarta-feira a demisão a Jair Bolsonaro, de quem é muito próximo.

A demissão foi aceite pelo Presidente e rapidamente publicada no diário Oficial da União.

Uma fonte citada pelo jornal Folha de São Paulo contou que o ministro apenas disse ao Presidente estar na hora de deixar o cargo.

Outros interlocutores alegam que o agora ex-ministro vinha a manifestar algum cansaço pela exposição pública a que estava sujeito.

No anúncio aos jornalistas, Salles dise ter tentado desde o primeiro colocar em prática as orientações de Bolsonaro e considerou ter desempenhado "da melhor forma possível" a gestão da pasta do Ambiente enquanto ministro.

"Eu entendo que o Brasil, ao longo desse ano e no ano que vem, na inserção internacional e também na agenda nacional, precisa ter uma união muito forte de interesses, anseios e esforços.

Para que isso se faça da maneira mais serena possível, apresentei ao Senhor Presidente meu pedido de exoneração, que foi atendido. Eu serei substituído pelo secretario Joaquim Pereira Leite.
Ricardo Salles
Ex-ministro do Ambiente do Brasil

O até aqui secretário para a Amazónia e Serviços Ambientais, Joaquim Pereira Leite, herda uma pasta "queimada" por sucessivos recordes de desmatamento na maior floresta tropical do planeta, mas, mesmo assim, representa uma aposta de continuidade na pasta pela proximidade que mantinha com o antecessor.

Num dos episódios mais controversos, Ricardo Salles foi gravado em abril de 2020, num vídeo entretanto divulgado pelo Supremo Tribunal Federal, a forçar a mudança de regras ambientais, tentando assim não levantar muito fumo com as alterações à sombra da tragédia provocada pela Covid-19.

O último mês de maio foi, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o pior mês de avisos de desmatamento, com alertas a surgir numa área correspondente a 1.391 quilómetros.

Editor de vídeo • Francisco Marques

Outras fontes • Agência Brasil e Folha