Última hora
This content is not available in your region

UE depois de Angela Merkel

Access to the comments Comentários
De  Euronews
euronews_icons_loading
UE depois de Angela Merkel
Direitos de autor  Olivier Hoslet/AP
Tamanho do texto Aa Aa

Poderão as eleições na Alemanha mudar a dinâmica na batalha europeia contra a Hungria e a Polónia em defesa do Estado de Direito?

Para muitos políticos da Europa Central e o Leste a questão é mais relevante do que nunca.

Os assuntos europeus não estiveram no topo da agenda de campanha eleitoral na Alemanha. Mas os social-democratas e os representantes "Verdes" deixaram claro que se entrarem para formar um governo de coligação, as notícias para os populistas não serão as melhores.

"O fato de os social-democratas ou de os 'Verdes' fazerem parte do novo governo mudará a dinâmica. Também penso que, com um novo rosto, os democratas-cristãos estarão sob maior pressão para serem mais ativos e claros nessa frente. Como representante do grupo dos 'Verdes' posso assegurar, pelo menos, que ao fazermos, hipoteticamente, parte do novo governo abordaremos este tema de forma mais assertiva", sublinhou, em entrevista à Euronews, o eurodeputado alemão do grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia, Sergey Lagodinsky.

Há vários anos que a Polónia e a Hungria são alvo de sanções. Em causa está a violação dos valores europeus.

Os governos dos dois países foram criticados por prejudicar a democracia, a liberdade de imprensa e por promoverem políticas anti-comunidade LGBTQI.

Em entrevista à Euronews, durante o Fórum de Budapeste, o autarca de Varsóvia deixou uma mensagem ao futuro chanceler alemão.

"Espero que quem vencer na Alemanha se comporte da mesma forma e seja um defensor ferrenho do Estado de Direito. Vão querer que a União Europeia continue a ser o que é: um clube de 27 Estados-membros. Espero que qualquer que seja o partido a vencer, não perca a paciência com os governos que agora estão à frente de alguns dos nossos países, porque precisamos de fazer as coisas juntos", lembrou Rafał Trzaskowski.

Apesar de Berlim e Bruxelas poderem exercer mais pressão para isolar os populistas, a real mudança terá de acontecer internamente, como explicou Ellen Ueberschär, copresidente da Fundação Heinrich Böll: “Viktor Orbán está isolado neste momento. Diria até mais do que nunca. Este processo deve continuar. Devemos usar o mecanismo do Estado de Direito. Devemos continuar a invocar o Artigo 7.º [do Tratado da União Europeia]. Juntamente com o empoderamento das forças democráticas, existe um desenvolvimento dos dois lados. A União Europeia não pode derrubar Orbán. Isso terão de ser os húngaros a fazer."

Apesar das batalhas em defesa do Estado de Direito não fazerem manchetes na campanha para as eleições na Alemanha, para os cidadãos húngaros e polacos - a favor do Governo ou da oposição - uma coisa é certa: o próximo chanceler alemão pode ter um papel importante no destino dos países.