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"A Europa precisa da energia nuclear"

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De  Euronews
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"A Europa precisa da energia nuclear"
Direitos de autor  ALEX HALADA/AFP or licensors

Como classificar a energia nuclear? Para a Comissão Europeia o dilema não é fácil de resolver.

Países como França, Polónia, ou Eslováquia, por exemplo, entendem que o nuclear deve ser considerado "verde."

Por outro lado, Estados-membros como a Alemanha. Bélgica ou Luxemburgo defendem o abandono desta forma de geração de energia.

Para o diretor da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, o caminho a seguir está claro.

"A Europa precisa da energia nuclear. Percebemos que os ventos estão a mudar e que as pessoas estão a reconhecer que, na verdade, é a ciência e as boas escolhas, em vez da ideologia, que devem prevalecer quando se trata de tomar decisões sobre as fontes de energia que serão necessárias. Por isso, não vejo um choque", sublinhou, em entrevista exclusiva à Euronews, Rafael Grossi.

Um relatório recente do Conselho Superior de Saúde da Bélgica refere que, neste momento, a energia nuclear não dá resposta a preocupações em matéria ambiental, ética ou de saúde no país.

O documento lembra que há o problema da longevidade do lixo nuclear, que pode ter impacto em várias gerações de pessoas.

Rafael Grossi tem outra visão do problema.

"Com o devido respeito que este relatório merece, o documento contém uma série de elementos que precisam de uma análise separada. Por exemplo, quando falamos sobre lixo nuclear: sim, o lixo nuclear é uma realidade. Mas o lixo nuclear, está claro, é tratado de maneira adequada, e nunca houve um acidente a envolver lixo nuclear", acrescentou.

Outro assunto no radar de Rafael Grossi é a disponibilidade do Irão para retomar, até o final de novembro, as negociações com as potências mundiais sobre o programa nuclear.

Mas será que Grossi tem uma linha direta de contacto como o novo presidente da República Islâmica, Ebrahim Raisi?

"Infelizmente não. Diria que ainda não. Não tivemos oportunidade de estabelecer este diálogo político que é preciso porque para além dos aspetos técnicos relacionados com as inspeções, tem de haver confiança", lembrou o diretor da Agência Internacional de Energia Atómica.

A confiança é pouca, de ambos os lados, mas, a diplomacia é vista como uma caminho a seguir.

"Penso que a diplomacia não pode falhar. Temos de assegurar que todos os elementos estão lá e que é possível ter uma espécie de 'modus vivendi'. E, para isso, existem os inspetores", ressalvou Grossi.

A Agência Internacional de Energia Atómica espera que o Irão permita que a suas inspeções continuem novamente em breve.