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Scholz promete "um novo começo" para a Alemanha

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De  Teresa Bizarro  com Agências
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A passagem de testemunho entre Merkel e Scholz decorreu durante a tarde desta quarta-feira, em Berlim
A passagem de testemunho entre Merkel e Scholz decorreu durante a tarde desta quarta-feira, em Berlim   -   Direitos de autor  Markus Schreiber/AP

Com 395 votos a favor e 303 contra, o parlamento alemão aprovou esta quarta-feira a nomeação do líder do partido social democrata (SPD) como chanceler. Olaf Scholz chega à chefia do executivo após longas semanas de negociação que culminaram com o acordo de coligação entre o SPD, os liberais do FDP e os Verdes.

O executivo toma posse num momento em que há uma nova vaga da pandemia de Covid-19 a crescer. Combatê-la é a prioridade assumida a curto prazo. Mas o novo governo alemão tem metas a médio e longo prazo ambiciosas, nomeadamente para travar as alterações climáicas e ao mesmo tempo modernizar a economia.

Scholz "entusiasmado"

"Estou muito grato pelo que já fizemos até agora. Encaro entusiasmado a nova tarefa e todo o trabalho. Será um novo começo para o nosso país. Pelo menos farei tudo nesse sentido," garantiu Olaf Scholz no discurso de tomada de posse.

O líder do SPD é a nona pessoa a ocupar a cadeira de chanceler desde o fim da II Guerra Mundial, há 72 anos. Sinal de um sistema político que potencia a estabilidade. Um sistema que é avesso a maiorias absolutas e promove os entendimentos interpartidários e governos de coligação - Scholz, social democrata, foi aliás ministro das Finanças de Angela Merkel, democrata-cristã.

A aliança tripartida traz tanto oportunidades como riscos para todos os participantes, mas sobretudo para os Verdes que se estreiam na governação. Após 16 anos de oposição, terão de provar que podem alcançar o seu objectivo global de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa enquanto trabalham com parceiros que podem ter outras prioridades.

Os co-líderes dos Verdes têm pastas-chave no executivo. Robert Habeck será o vice-chanceler de Scholz e chefia o super-ministério da Economia e do Ambiente, Annalena Baerbock tem a pasta dos Negócios Estrangeiros

Christian Lindner, líder dos Liberais Democratas, é ministro das finanças e número três na hierarquia do executivo. Tem garantido que a coligação vai rejeitar as subidas de impostos e flexibilizar as restrições ao endividamento.

O governo planeia também aumentar o salário mínimo da Alemanha e construir centenas de milhares de novos apartamentos num esforço para conter o aumento das rendas.

O recado de Angela Merkel

O agora chanceler alemão entregou a Angela Merkel um ramo de flores. Recebeu em troca os destinos do país. A única mulher a desempenhar o cargo de chanceler na Alemanha quis entregar com a responsabilidade uma mensagem de esperança.

Diz que talvez se imagine a chefia do executivo como uma tarefa "emocionante, gratificante e exigente", mas garante que se for desempenhada "com alegria", talvez seja também "uma das mais belas tarefas que existem" .

Despediu-se com desejos de uma jornada feliz para Scholz e toda a equipa.

Angela Merkel saiu esta quarta-feira do edifício oficial da chancelaria, onde tinha entrado pela primeira vez como chefe do executivo alemão há 16 anos e 16 dias. Teve o segundo mandato mais longo de sempre à frente do executivo alemão. Por muito pouco - 10 dias - não ultrapassou a marca de longevidade no cargo de Helmut Khol.

Aos 67 anos garante que não vai procurar outro papel político. Nos planos para o futuro revelou aprenas que tem duas tarefas prioritárias: ler e dormir.