A visita do papa ao Iraque e a crise no Líbano: o Médio Oriente em 2021

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De  Manuela Scarpellinieuronews
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A Euronews recorda a atualidade do Médio Oriente em 2021.

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A Euronews recorda a atualidade do Médio Oriente em 2021.

Em maio, na parte ocupada de Jerusalém, o despejo de famílias palestinianas do bairro Sheikh Jarrah desencadeou onze dias de violência. Os incidentes foram descritos como os mais graves dos últimos anos. Mais de 230 palestinianos perderam a vida, incluindo 65 menores houve quase dois mil feridos. Do lado israelita, há registo de doze mortos e 343 feridos.

As tensões foram exacerbadas pela assinatura dos acordos de Abraham. Um documento negociado em 2020 pela administração Trump que visava a a normalização das relações entre Israel e quatro países árabes: os Emirados, o Bahrain, Marrocos e o Sudão. O acordo foi visto como uma forma de fortalecer Israel e isolar os palestinianos e como um elemento que agravou instabilidade na região.

A violência deu lugar a uma trégua mediada pelo Egipto. O cessar-fogo aprovado pelo governo de Netanyahu entrou em vigor a 21 de Maio. O Hamas e a Jihad Islâmica comprometeram-se a respeitá-lo. Os dois lados celebraram "a sua própria vitória".

A crise no Líbano

A crise no Líbano. Um país dividido entre cristãos e muçulmanos, palco de violência e dos interesses de potências estrangeiras. A 14 de outubro uma manifestação convocada pelos xiitas do movimento Amal e pelo Hezbollah degenerou em violência.

No centro da discórdia, o papel do juiz Tarek Bitar, na investigação da violenta explosão no porto de beirute em agosto que matou duzentas e quinze pessoas e fez mais de seis mil e quinhentos feridos. O juiz quis interrogar líderes políticos, que não compareceram em tribunal. O Hezbollah, suspeito de envolvimento no incidente, acusou o juiz de politizar a investigação

O governo de Najib Mikati, nomeado após 13 meses de impasse político enfrenta uma situação catastrófica. O Banco Mundial classificou a crise económica e financeira do Líbano como uma das piores de sempre na história, com um milhão de libaneses em situação de insegurança alimentar. O Líbano acolhe um milhão e quinhentos mil refugiados sírios.

A visita histórica de um papa ao Iraque

O momento mais esperado da viagem do papa Francisco ao Iraque foi o encontro em Najaf com Ayahtollah Ali al-Sistani, a mais alta autoridade religiosa xiita do país.

Al-Sistani, 90 anos, nascido no Irão, é um religioso reconhecido pelos iraquianos e pelos fiéis xiitas: tem influência na política, mas não pretende substituir os políticos. O Papa Francisco identificou-o como um interlocutor privilegiado no Islão xiita.

O Papa visitou as ruínas de uma igreja, em Mosul, que esteve nas mãos do grupo terrorista Daesh. Dos cerca de um milhão e quinhentos mil cristão que viviam no Iraque antes da invasão dos estados unidos em 2003, restam hoje cerca de 300 mil.

No final de uma missa num estádio em Erbil, na região curda do norte do Iraque, uma das cidades mais antigas do mundo, o papa entoou: 'Salam , Salam, Salam, Salam' que significa paz em árabe.

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