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Conselheiro de Gorbachev recorda a queda da URSS

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De  Galina Polonskaya
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Conselheiro de Gorbachev recorda a queda da URSS
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A 25 de dezembro de 1991, a bandeira soviética era descida do topo do Kremlin para sempre.

Numa declaração à nação, Michail Gorbachov, anunciava, de forma solene, pôr "fim à atividade como presidente da União Soviética".

Pavel Palazchenko trabalhou como intérprete do ex-chefe de Estado a partir de 1985.

Atualmente conselheiro do antigo presidente e chefe do gabinete de imprensa da Fundação Gorbachov, partilhou com a euronews a sua visão da queda da União Soviética, há três décadas.

Pavel Palazchenko, chefe do gabinete de imprensa da Fundação Gorbachov:"Publicámos um livro sob supervisão de Michail Gorbachov intitulado 'A União Podia Ter Sido Preservada'. A ideia principal é que era impossível manter a União Soviética na forma em que se encontrava. Isso hoje é especialmente claro. Quando a liderança do país percebeu isso, decidiu seguir a via de um novo tratado com as repúblicas, onde elas próprias decidiam que poderes teriam e quais delegariam de forma voluntária à união central. Acredito que esse era o bom caminho. Penso que conflitos e guerras entre repúblicas, como o que assistimos agora, teria sido muito menos provável."

Galina Polonskaya, euronews:"Quais foram as principais razões para a queda da URSS?"

Pavel Palazchenko:"Há dois golpes principais: a tentativa de golpe de Estado de agosto de 1991 e o Acordo de Belaveja. São as duas razões principais. É claro que o desejo das repúblicas de construir os seus próprios Estados nação teve um papel, bem como a natureza distinta das repúblicas que compunham a União Soviética. É muito difícil manter unido um grupo tão heterogéneo de repúblicas como a Estónia ou o Turquemenistão. Mas, apesar disso, penso que teria sido possível manter unidas grande parte das repúblicas, de alguma forma."

euronews:"Os críticos dizem que uma das razões para o colapso da União Soviética foi o atraso na implementação de reformas económicas. Como interpreta esta visão crítica de Gorbachov?"

Pavel Palazchenko:"Penso que, nos últimos 30 anos, nos convencemos de que as reformas económicas são extremamente difíceis e lentas. Por isso, aqueles que o criticam por não ter sido capaz de o fazer em 3, 4 ou 5 anos estão errados. É claro que há alguma verdade, as dificuldades económicas tiveram o seu papel no declínio da popularidade de Gorbachov e no desejo das repúblicas de sairem sozinhas dessa situação."