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Primeira-ministra da Moldávia rejeita pedir adesão à NATO

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De  Sandor Zsiros
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Primeira-ministra da Moldávia rejeita pedir adesão à NATO
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Com a invasão da Rússia na Ucrânia, a vizinha Moldávia viu-se na linha da frente da crise dos refugiados. Dias após o ataque, o país - que tem uma região separatista com tropas russas - também pediu a adesão à União Europeia. Falámos com a primeira-ministra da Moldávia, Natalia Gavrilița.

Como vê a situação de segurança do seu país com a guerra na Ucrânia? A Moldávia está sob ameaça militar direta da Rússia?

É lamentável o que está a acontecer na Ucrânia. Condenamos a guerra e apoiamos firmemente a independência e integridade territorial da Ucrânia dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas. Vivemos numa região complexa com questões de segurança também para a Moldávia, especialmente no que diz respeito à região separatista da Transnístria. Mas atualmente não vemos qualquer perigo ou risco de a situação se espalhar à Transnístria. Estamos a prosseguir com os nossos formatos de negociação. A Moldávia é um país neutro. A sua neutralidade está consagrada na Constituição e esperamos que todos atuem de acordo com este princípio.

Qual é o seu plano se as tropas russas não conseguirem parar nas suas fronteiras?

Esse é um cenário hipotético. Estamos atualmente muito concentrados na gestão dos grandes fluxos de refugiados. Temos mais de 250.000 pessoas que atravessaram a fronteira a partir da Ucrânia. Dessas, 120.000 permaneceram na Moldávia, o que é o maior número na Europa em termos proporcionais à dimensão da população.

Estamos no limite da nossa capacidade atual e precisamos de muita ajuda e assistência internacional para lidar com esta enorme crise humanitária. Portanto, estamos a concentrar-nos nos desafios que enfrentamos agora, em vez de discutirmos um cenário hipotético.

Concentramo-nos nos desafios atuais, não em cenários hipotéticos.
Natalia Gavrilița
Primeira-ministra da Moldávia

Gostaria de lhe perguntar como está a lidar com o afluxo maciço de refugiados em comparação com a dimensão relativamente pequena do seu país? Precisa de mais assistência internacional nesta questão?

Temos certamente, como mencionei, o maior afluxo de refugiados alguma vez visto pela Moldávia, mas também provavelmente alguma vez visto pela Europa, pela rapidez, penso eu. A dimensão do fluxo de refugiados é maior do que diziam as estimativas do ACNUR publicadas antes do início da ação militar.

A Moldávia é, evidentemente, também o país com os recursos mais limitados, e precisamos sem dúvida de assistência financeira e humanitária para podermos apoiar este fluxo de refugiados. Enquanto as ações militares prosseguirem, esperamos que isso continue. Precisamos urgentemente de corredores verdes para outros países, mas também de assistência financeira para manter as despesas em que estamos atualmente a incorrer e em que incorremos por nós próprios nos últimos 10 dias. Começamos agora a receber alguma ajuda humanitária. Portanto, o fardo sobre os recursos moldavos tem sido grande.

Tem uma região separatista, a Transnístria, com uma base militar russa. Vê aí alguma atividade militar extraordinária e acha que esses soldados poderão juntar-se ao conflito?

De facto, como mencionei, temos essa região separatista. Temos ali estacionadas tropas russas. Temos apelado à retirada das tropas de forma consistente durante os últimos 30 anos. Atualmente, não vemos quaisquer riscos ou planos para o envolvimento. Mas é claro que a situação é incerta e depende da evolução na Ucrânia. Como disse, somos um país neutro e esperamos que todos os parceiros internacionais atuem de acordo com um princípio de neutralidade. Por enquanto, estamos a discutir dentro dos atuais formatos de negociação e não vemos quaisquer sinais ou planos de envolvimento.

Há 30 anos que pedimos a retirada das tropas russas da Transnístria.
Natalia Gavrilița
Primeira-ministra da Moldávia

A Moldávia apresentou o seu pedido de adesão à União Europeia na semana passada. Normalmente, este processo de adesão leva décadas. Vê a hipótese de um processo acelerado na situação atual?

Estamos cientes de que o processo de integração europeia é um longo processo de transformação. Ao mesmo tempo, tendo em conta a segurança desta região, a oferta do estatuto de candidato seria um sinal muito importante para os povos dos países que apresentaram o pedido de adesão à União Europeia de que são bem-vindos no mundo livre e na União Europeia onde, como sabem, os valores democráticos, o Estado de direito e o respeito pelos direitos humanos e pelo direito internacional são princípios fundamentais. E, claro, estamos prontos a fazer os trabalhos de casa necessários para alcançar os padrões de adesão à União Europeia.

Ter o estatuto de país candidato à UE significa que se é bem-vindo no mundo livre.
Natalia Gavrilița
Primeira-ministra da Moldávia

Alguns partidos políticos romenos dizem que deveria haver um referendo para que a Moldávia se possa unir à Roménia e entrar na UE e precisa de o fazer. Estará este cenário em cima da mesa?

Atualmente, não estamos a discutir esta opção.

Como funcionaria a integração ocidental no caso da Moldávia com uma região separatista pró-russa? Obviamente, Vladimir Putin, que está a tentar restaurar a antiga União Soviética, tentará bloquear isso. Como vê esta questão?

Mais uma vez, penso que essa é uma questão hipotética. Estamos atualmente a trabalhar dentro dos formatos de negociação acordados e iremos trabalhar com todos os parceiros internacionais, dependendo da evolução e das mudanças nas circunstâncias, para conceber a melhor forma e os melhores formatos de negociação para continuar as discussões sobre a reintegração.

Mencionou a neutralidade do seu país. Isto significa que qualquer adesão à NATO está excluída, certo?

Esse princípio de neutralidade está consagrado na Constituição e iremos pedir a integração na União Europeia, mas não a adesão à NATO.

Pedimos para aderir à União Europeia, mas não queremos a adesão à NATO.
Natalia Gavrilița
Primeira-ministra da Moldávia

Nome do jornalista • Ricardo Figueira