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Ucranianos mantêm luta à Covid-19 enquanto se protegem das bombas do Kremlin

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De  Francisco Marques
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Condutor protegido contra a Covid-19 em Kharkiv antes da invasão russa
Condutor protegido contra a Covid-19 em Kharkiv antes da invasão russa   -   Direitos de autor  AP Photo/Igor Chekachkov

A invasão russa domina atualmente todas as atenções na Ucrânia, mas há outra guerra ainda a pressionar os hospitais ucranianos: a do combate à Covid-19.

O país sentiu grandes dificuldades para acelerar o processo de vacinação contra a infeção por SARS-CoV-2 e a meados de fevereiro batia recordes de novos casos com o registo de cerca de 40 mil infeções a cada 24 horas.

Desde 24 de fevereiro, a prioridade de sobrevivência passou a ter outra a prioridade: evitar as bombas indiscriminadas da ofensiva russa, que têm caído também sobre hospitais e até maternidades.

Pouco se tem falado na últimas três semanas sobre a Covid-19 quando nos referimos à Ucrânia, mas a grave infeção mantém-se ativa no país e, por exemplo, na clínica de doenças de infeciosas do Hospital de Kharkiv, uma das cidades mais bombardeadas pelas forças fiéis a Vladimir Putin, os "doentes covid" continuam a lutar também para vencer o vírus.

Os doentes mais graves mantém-se ligados a garrafas de oxigénio, agora protegidas tanto quanto possível de eventuais bombas russas que ali possam cair.

"Como se pode ver, as janelas estão fechadas. Os bombardeamentos acontecem de manhã à noite. Graças a Deus, ainda não caiu nenhuma bomba neste hospital, mas uma pode atingir-nos a qualquer momento", conta Pavel Nartov, o diretor da clínica de doenças infeciosas do Hospital Regional de Kharkiv.

A guerra veio naturalmente aumentar a pressão sobre os profissionais de saúde ucranianos. Ao acentuado trabalho de cuidar dos "doentes covid", agora têm também de lidar com os feridos da guerra e são muitos. Cada vez mais.

Neste hospital de Kharkiv, um abrigo antibombas foi instalado na cave do hospital com macas e alguns aparelhos para, se for necessário, acolher rapidamente os infetados e os doentes mais frágeis.

"Deslocamo-nos aqui várias vezes por dia. Geralmente mais à noite, mas quando as sirenes dos ataques aéreos são acionadas e ouvimos as explosões, também descemos para aqui durante o dia", explica-nos Pavel Nartov, já na cave.

A guerra agravou também os problemas no setor dos transportes e por conseguinte a vida de quem trabalha no setor da Saúde. Também por isso, foram improvisadas estas unidades nas caves dos hospitais, com capacidade também para albergar alguns dos profissionais que trabalham no hospital.

"Há muitos profissionais de saúde sem possibilidade de se deslocarem para o trabalho das regiões onde vivem, por isso tentamos desenrascar-nos com o pessoal que temos. Aqueles que conseguiram vir, estão agora aqui instalados", revela Delar Garbuz, diretora de um dos departamentos do hospital.

Outras fontes • Associated Press