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Fugir dos invasores russos sem sair da Ucrânia: "Estamos dispostos a perder tudo"

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De  Francisco Marques
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Natalia Borch com a filha Liza e o filho Nazar, em Balabyne, Zaporizhzhia
Natalia Borch com a filha Liza e o filho Nazar, em Balabyne, Zaporizhzhia   -   Direitos de autor  Ed JONES / AFP

A invasão russa da Ucrânia já provocou pelo menos 7,7 milhões de deslocados dentro do respetivo país além dos 5,3 milhões que fugiram mesmo da Ucrânia, lê-se no último relatório da Organização Internacional para as Migrações, uma entidade da ONU liderada pelo português António Vitorino.

As famílias de Natalia Borch e de Olesya Pochinok fugiram respetivamente de Bilmak e Tokmak, cidades agora tomadas pelos invasores russos a meio caminho entre Zaporizhzhia e Mariupol.

Ambas conviveram com compatriotas que ajudavam os invasores, mas agora encontraram proteção em Balabyne e Zaporizhzhia. Fazem parte dos quase oito milhões de deslocados de guerra na Ucrânia.

Natalia vive agora com os dois filhos, Liza de dois anos e Nazar de seis, numa casa com outras famílias também deslocadas pela guerra e relembra o medo após a chegada dos invasores a Bilmak.

"Os soldados russos andavam sempre bêbados, a disparar ao calhas para o ar, a deambular pelas ruas e a apontar lanternas para as janelas", conta-nos, acrescentando ter conhecimento de outros conterrâneos que "informavam os russos sobre quem participava nas operações antiterroristas" nos territórios separatistas.

"Essas pessoas eram apanhadas, depois forçadas a desfilar com sacos na cabeça e eram brutalmente agredidos", denuncia Natalia Borch, de 27 anos.

Também em Zaporijiá e aparentemente em segurança, estão agora Sergey e Olesya Pochinok. Fugiram com os dois filhos de Tokmak, outra cidade a meio caminho para Mariupol e agora sob controlo russo.

Olesya também tem conhecimento de alguns compatriotas que tentavam agradar aos russos porque "diziam que a Ucrânia nunca lhes tinha dado nada e a Rússia vai dar-lhes algo melhor".

"Havia pessoas também a dizer que o mais importante era não serem bombardeados. 'Se as nossas casas forem bombardeadas, o que nos resta?'", cita Olesya a alguns desses conterrâneos que tentavam agradar aos invasores russos.

O companheiro, Sergey, diz que "há sempre opção" e acusa essas pessoas agora próximas dos russos como "gente que só se preocupa com dinheiro e em lucrar com os outros". "Nem se preocupam em que país vivem", acrescenta Olesya.

"Sabemos que vai ser difícil, mas estamos preparados para perder tudo para continuarmos a ser ucranianos e para que parem de morrer pessoas nesta guerra. Foi por isso que fugimos, para ajudar os nossos soldados. Para que eles libertem a nossa cidade e a devolvam à Ucrânia", concretiza Olesya, na esperança de poder voltar a ver os filhos brincar numa Ucrânia livre.

Outras fontes • AFP