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Inglaterra e Gales cedem mas Alemanha acusa FIFA pela intolerância no Qatar

Gareth Bale e Harry Kane tiveram de abdicar da braçadeira "One Love" (ao centro)
Gareth Bale e Harry Kane tiveram de abdicar da braçadeira "One Love" (ao centro) Direitos de autor AP Photo/Francisco Seco/Pavel Golovkin
Direitos de autor AP Photo/Francisco Seco/Pavel Golovkin
De  Francisco Marques
Publicado a Últimas notícias
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Presidente da Federação germânica diz que o organismo está a ir contra os próprios princípios ao ceder à intolerância LGBT vigente no Qatar

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De uma festa do futebol ao manifesto pela tolerância e pelos direitos humanos. O Inglaterra - Irão desta segunda-feira já estava sob os holofotes por causa da braçadeira de capitão de Harry Kane, que era para ser um apelo à tolerância pela comunidade LGBT num país onde a homossexualidade é ilegal e acabou censurada pela própria FIFA.

Kane usou uma outra braçadeira contra a discriminação que havia sido homologada pela FIFA para ser usada a partir dos quartos de final do Mundial.

O Inglaterra-Irão começou, aliás, com o silêncio dos jogadores persas durante o próprio hino, no que está a ser visto como um manifesto de solidariedade pelos protestos pelos direitos e liberdades das mulheres na própria república islâmica.

Teve depois alguns jogadores ingleses com um joelho no chão nos instantes prévios ao apito inicial, num gesto associado à luta antirracismo.

O grande debate está contudo a centrar-se na questão da braçadeira arco íris, batizadas como "one love" ("um amor"), e que está a ser vista como uma cedência da FIFA à intolerância do Qatar perante a comunidade LGBT.

Além da Inglaterra, havia pelo menos mais seis países envolvidos na campanha da braçadeira "one love" no Mundial, mas em comunicado a FIFA ameaçou essas seleções com sanções desportivas (cartão amarelo) caso os respetivos capitães envergassem a braçadeira.

As respetivas federações acataram a "ordem", mas o presidente da alemã contra-atacou a FIFA, acusou o organismo de estar a ir contra os próprios valores e de estar a ameaçar as equipas para impor a cedência à alegada intolerância do Qatar.

"A FIFA recusou uma manifestação a favor da diversidade e dos direitos humanos. Estes são valores com os quais estão comprometidos, de acordo com as próprias regras. Do nosso ponto de vista, isto é frustrante e único na história dos Mundiais. Para nós, é uma demonstração de força da FIFA porque nos diz que sofremos consequências desportivas se não cumprirmos a decisão deles", afirmou Bernd Neuendorf, numa declaração improvisada esta segunda-feira.

Depois da Inglaterra, também o País de Gales entrou em campo diante dos Estados Unidos sem a previamente anunciada braçadeira arco-íris LGBT. Gareth Bale usou uma semelhante à de Harry Kane, embora branca.

À imposição da FIFA não será alheio o facto de a homossexualidade ser considerada ilegal no Qatar.

Para alguns ingleses, a questão passou a ser secundária depois de os três leões terem goleado o Irão, por 6-2, mas a intolerância da FIFA continua a ser debatida por todo o mundo e poderá motivar diversos protestos contra a alegada cedência do organismo internacional às imposições do Qatar.

Para já, o antigo futebolista do Manchester United e da seleção irlandesa Roy Keane, de 51 anos, defendeu, em declarações na ITV, que a seleção inglesa e a galesa deveriam ter desafiado a FIFA e deixado Harry Kane  e Gareth Bale envergar as braçadeiras "one love" de apoio à comunidade LGBT e assumido o castigo, se fosse o caso, mas enviando essa mensagem ao mundo de que a tolerância merece ser defendida.

"Acho que foi um grande erro", sublinhou Keane, na televisão britânica.

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