Kosovo: 26 anos de prisão por tortura e homicídio para Ex-comandante do KLA

Salih Mustafa, ex-comandante do Exército de Libertação do Kosovo
Salih Mustafa, ex-comandante do Exército de Libertação do Kosovo Direitos de autor Peter Dejong/Copyright 2022 The AP. All rights reserved
De  Nara Madeira com AFP
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Salih Mustafa condenado a 26 anos de prisão por homicídio, tortura e detenções arbitrárias pelo Tribunal Especial para o Kosovo

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O Tribunal Especial para o Kosovo em Haia, Países Baixos, condenou a 26 anos de prisão, esta sexta-feira, Salih Mustafa. No primeiro veredito sobre crimes de guerra, da instância criada em 2015, o antigo comandante rebelde foi considerado culpado de homicídio, tortura e detenção arbitrária de prisioneiros durante a guerra de independência.Mustafa está preso desde 2020. Na altura era conselheiro do ministério da Defesa.

Durante a leitura da sentença a juíza, Mappie Veldt-Foglia, fez questão de frisar que existe a ideia "errada de que as acusações foram apresentadas contra o Exército de Libertação do Kosovo" (UCK) ou contra o povo kosovar, "como um todo". Mas, isso está muito "longe da verdade. Foi o povo do Kosovo através do parlamento que optou por criar e dar poder a esta instituição", referia a magistrada que acrescentava esperar que este veredito "promova a reconciliação" no Kosovo.

O veredito surge quando as tensões étnicas se reacenderam no Kosovo, quase um quarto de século após a guerra.

A aguardar julgamento neste tribunal está o antigo presidente do Kosovo, Hashim Thaci. É acusado, e entre outras coisas, de homicídio. O ex-chefe de Estado nega todas as acusações mas demitiu-se quando surgiram as acusações. Ainda assim, no seu país é considerado um herói. 

O tribunal apresentou acusações, por crimes de guerra, contra vários altos dirigentes do UCK. Thaci e outros antigos líderes do UCK compareceram em tribunal também na sexta-feira, para uma audiência preliminar, ficam a aguardar marcação da data do julgamento.

A guerra do Kosovo, que matou 13.000 pessoas, terminou quando as forças do presidente sérvio Slobodan Milosevic a retirarem-se após uma campanha de bombardeamentos da NATO que durou de 11 semanas.

O Kosovo declarou a independência da Sérvia em 2008 mas Belgrado não a reconhece e encoraja a maioria sérvia no norte do país a desafiar a autoridade de Pristina.

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