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Países Baixos pedem desculpa pela escravatura

 O primeiro-ministro holandês Mark Rutte e Marian Markelo, sacerdotiza Winti, uma religião tradicional afro-surinamesa
O primeiro-ministro holandês Mark Rutte e Marian Markelo, sacerdotiza Winti, uma religião tradicional afro-surinamesa Direitos de autor Peter Dejong/Copyright 2022 The AP. All rights reserved
Direitos de autor Peter Dejong/Copyright 2022 The AP. All rights reserved
De  Euronews com AFP
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O primeiro-ministro dos Países Baixos pediu desculpa pela escravatura, um ato controverso no país, que conta com o apoio de apenas 38% dos adultos

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Os Países Baixos acertam contas com a História e pedem desculpa pelo seu papel histórico na escravatura.

Num discurso em Haia, o primeiro-ministro, Mark Rutte, disse: "Hoje peço desculpa em nome do governo holandês pelas ações do Estado holandês no passado: postumamente a todos os escravos, em todo o mundo, que sofreram com este ato; às suas filhas e filhos e a todos os seus descendentes".

O chefe do governo holandês sugere que a escravatura seja considerada "crime contra a Humanidade".

Em setembro, aquando da visita ao Suriname, Rutte tinha dado a entender que se preparava para apresentar desculpas.

Ao mesmo tempo que proferia o discurso, vários dos ministros do seu governo estavam em países que foram escravizados como o Suriname, a ilha de Curaçau, África do Sul e Indonésia, para abordarem o assunto com as populações locais.

O governo deverá anunciar a criação de um fundo de compensação para financiar projetos nos países onde vivem os descendentes de escravos.

A Holanda enviou cerca de 600.000 africanos como escravos para território sul-americano para trabalharem em plantações.

O pedido de desculpas tem gerado controvérsia nos Países Baixos. De acordo com uma sondagem recente, só 38% dos holandeses concordam com ele.

Tal como outras metrópoles europeias, durante 250 anos a Holanda desempenhou um papel fundamental na captura, transferência e venda de escravos africanos na América, mas também na África do Sul e na Ásia, onde a Companhia Holandesa das Índias Orientais operou.

As organizações de memória da escravatura queriam que o pedido de desculpas fosse apresentado a 1 de julho de 2023, o 150º aniversário do fim da escravatura, numa celebração anual chamada "Keti Koti" (Quebrar as Correntes) em Suriname.

A primeira-ministra de Sint Maarten, Silveria Jacobs, disse aos media holandeses no sábado que a ilha não aceitaria um pedido de desculpas holandês se este fosse emitido na segunda-feira.

Sobre isso, Mark Rutte disse: "Não há um momento certo para todos, nem uma palavra certa para todos, nem um lugar certo para todos".

A escravatura ajudou a financiar o "século dourado" holandês, um período de prosperidade através do comércio marítimo nos séculos XVI e XVII.

No auge do seu império colonial, as Províncias Unidas, depois conhecidas como Holanda e agora como Países Baixos, tinham colónias como o Suriname, a ilha caribenha de Curaçao, a África do Sul e a Indonésia, onde a Companhia Holandesa das Índias Orientais estava sediada no século XVII.

A escravatura foi formalmente abolida no Suriname e noutros territórios holandeses a 1 de julho de 1863, mas só terminou realmente em 1873 após um período de "transição" de 10 anos.

Nos últimos anos, os Países Baixos começaram a analisar o seu papel na escravatura. As cidades de Amesterdão, Roterdão, Utrecht e Haia já tinham apresentado oficialmente as suas desculpas.

Mark Rutte há muito que tem reservas em fazer um pedido oficial de desculpas, dizendo no passado que o período da escravatura foi há demasiado tempo e que um pedido de desculpas inflamaria tensões num país onde a extrema-direita permanece forte.

"Pensei: a escravatura é uma história que está muito atrás de nós, mas estava errado, porque séculos de opressão e exploração afetam o presente, em estereótipos racistas, discriminação e desigualdade social, e, para quebrar isto, temos de enfrentar o passado aberta e honestamente".
Mark Rutte
Primeiro-Ministro dos Países Baixos

Na segunda-feira disse: "Pensei: a escravatura é uma história que está muito atrás de nós, mas estava errado, porque séculos de opressão e exploração afetam o presente, em estereótipos racistas, discriminação e desigualdade social, e, para quebrar isto, temos de enfrentar o passado aberta e honestamente".

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