Polícia de Memphis encerra "Unidade Escorpião" devido ao homicídio de Tyre Nichols

Manifestação em Washington após a morte de Tyre Nichols por polícias de Memphis
Manifestação em Washington após a morte de Tyre Nichols por polícias de Memphis Direitos de autor AP Photo/Yuki Iwamura
De  Francisco Marques
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Chefe da polícia fala de uma "nuvem de desonra" sobre a brigada criada para travar o crime, mas agora implicada num espancamento que lembra George Floyd

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O chefe da polícia de Memphis, nos Estados Unidos, encerrou a “Unidade Escorpião”, a brigada especial criada para travar o crime nos bairros daquela cidade do Tennessee, mas que acabou por ficar manchada pelo espancamento mortal, a 7 de janeiro, do afro-americano Tyre Nichols, por cinco agentes também afro-americanos afetos àquela equipa especial de policiamento de proximidade.

A trágica intervenção policial foi registada pela câmara instalada no uniforme de um dos polícias envolvidos. O vídeo foi tornado público na sexta-feira, cinco dias após ter sido visto pela família da vítima, que aceitou o pedido das autoridades de apenas o revelar dias depois.

O vídeo mostra uma aparente e normal operação de trânsito transformada em perseguição ao carro conduzido por Tyre Nichols, de 29 anos, funcionário da FedEx, que foi mandado parar a 7 de janeiro a poucos minutos de casa e vítima de uma violenta detenção.

O nosso filho fugiu porque sentiu receio pela vida. E, vendo o vídeo, percebe-se porque é que ele estava com medo.
Rodney Wells
Padrasto de Tyre Nichols

O vídeo , aos olhos da família da vítima e respetivos advogados, mostra agentes da política a bater "de forma selvagem" em Tyre Nichols durante três minutos, num momento que os juristas compararam ao espancamento de Rodney King, em 1991, em Los Angeles.

Tyre Nichols viria a morrer três dias depois, a 10 de janeiro, devido aos ferimentos sofridos, incluindo diversas hemorragias internas.

Os cinco polícias envolvidos, também eles afro-americanos, foram acusados na quinta-feira de homicídio e outros crimes relacionados com a detenção e morte de Tyre Nichols. Cada um dos agentes teve uma participação específica no caso, mas "todos são responsáveis", sublinhou o procurador distrital de Shelby, Steve Mulroy, em conferência de imprensa.

O fim da "Unidade Escorpião" foi precipitado pela alegada "nuvem de desonra" provocada pelo espancamento mortal de Tyre Nichols, um caso que espoletou uma nova onda de revolta nos Estados Unidos.

“O ‘Projeto-lei George Floyd’, se tivesse sido tornado lei, poderia ter feito alguns destes policias pensar duas vezes. Este Senado e este Congresso têm de enfrentar estes problemas de direitos civis e isso passa pelo ‘projeto-lei George Flooyd para o policiamento’. Nós vamos tomar posição em Memphis e lutar como nunca antes para aprovar esta lei federal de policiamento”, prometeu o conhecido líder da luta pelos Diretos Civis nos Estados Unidos, o reverendo Al Sharpton, também comissário do Conselho da Florida para o Estatuto Social dos Rapazes e Homens Negros da Florida.

O caso George Floyd aconteceu em maio de 2020. Um afro-americano de 46 anos foi sufocado até à morte com um joelho no pescoço pelo agente caucasiano Derek Chauvin, da polícia de Minneapolis. Chauvin acabou condenadoa 21 anos de prisão, o caso degenerou em violentos protestos pelos Estados Unidos e a revolta fez-se sentir até na Europa.

Agora, foram cinco polícias afro-americanos a espancar o também afro-americano Tyre Nichols até à morte, algo que o o antigo presidente dos Estados Unidos Donald Trump diz que "nunca deveria ter acontecido".

O atual chefe da Casa Branca, Joe Biden, disse compreender a revolta e a indignação da família e da comunidade afro-americana perante o sucedido, mas reiterou o apelo da família Nichols para que os protestos em curso aconteçam de forma pacífica.

O Presidente apelou ainda ao Congresso, agora controlado pelo Partido Republicano, para que lhe enviasse a "Lei George Floyd para o Policiamento" a fim de ser finalmente ratificada e implementada

Outras fontes • AP, AFP

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