Protestos violentos em Atenas devido à tragédia ferroviária de há uma semana

Polícia teve de recorrer a atordoantes para reprimir protestos violentos em Atenas
Polícia teve de recorrer a atordoantes para reprimir protestos violentos em Atenas Direitos de autor AP Photo/Petros Giannakouris
De  Francisco MarquesIoannis Karagiorgas
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Das 57 vítimas mortais da colisão de comboios em Larissa, só falta identificar uma. A lista de suspeitos com responsabilidades no caso tem mais três nomes

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Milhares de pessoas protestaram em diversas cidades da Grécia, revoltadas sobretudo pela forma como se deu a tragédia ferroviária da semana passada, a norte de Larissa.

Em Atenas, a manifestação contou com mais de 40 mil pessoas e ficou marcada pela ação violenta de um grupo de encapuçados contra a polícia, alvejada com coquetéis molotov e que se viu obrigada a responder com químicos e outros projeteis atordoantes para reprimir os ataques.

O confronto deu-se nas imediações do Ministério das Finanças e pelo menos uma carrinha foi incendiada perto do antigo parlamento helénico. Algumas paragens de transportes públicos também foram vandalizadas.

Os gregos foram convocados para uma manifestação esta quarta-feira no âmbito de uma greve nacional convocada por grupos sindicais, associações de estudantes e organizações de esquerda.

O lema da manifestação convocada englobava à partida dois temas: "8 de março, Dia Internacional da Mulher. As Nossas Vidas Contam. Acabem com a Política de Privatizações".

A revolta na manifestação rapidamente se focou na tragédia ferroviária de 1 de março, em Tempe, a norte de Larissa, onde um comboio de passageiros com mais de 350 pessoas a bordo chocou de frente com outro de mercadorias, que também seguia a alta velocidade na mesma linha, mas na direção oposta.

Dos 57 mortos confirmados, só falta identificar um, enquanto o número de pessoas investigadas no âmbito das responsabilidades da colisão subiu esta quarta-feira para nove, com mais três a juntarem-se à lista de suspeitos implicados no acidente.

Dos mais de 80 feridos resultantes da colisão dos comboios que tiveram de receber assistência hospitalar, "13 estão ainda a receber tratamento, incluindo sete nos cuidados intensivos e quatro em isolamento", revelou o ministro da Saúde da Grécia, Thanos Pleuris.

Uma vez mais e sob forte pressão de diversos quadrantes, o governo pediu desculpa pela tragédia.

"Tal como fiz desde o primeiro momento em que assumi o cargo, tenho de pedir desculpa, em meu nome e no do governo, às famílias das vítimas e a todos os cidadãos gregos. O serviço ferroviário não vai ser retomado até que exista uma melhoria tecnológica e apenas sob totais condições de segurança", afirmou Giorgos Gerapetritis, o ministro dos Transportes da Grécia.

O vice-presidente da Comissão Europeia Margaritis Schinas, manifestou a abertura da instituição para "ajudar onde for necessário", sendo que especialistas europeus estão já em Atenas para definir os detalhes deste apoio.

"Como membro do colégio de comissários e também como comissário grego, hoje, o primeiro dia em que tenho a oportunidade de estar na sala de imprensa, quero expressar a dor de todos nós por este desastre indescritível. Não tenho palavras para exprimir o que sinto neste momento", afirmou Schinas, em Bruxelas.

Outras fontes • AP, AFP, Khatimerini

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