Xi Jinping: Uma década aos comandos da China

Xi Jinping, prsidente da China desde março de 2013
Xi Jinping, prsidente da China desde março de 2013 Direitos de autor Ng Han Guan/Copyright 2023 The AP. All rights reserved
De  Maria Barradas com Agências
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O presidente da China, Xi Jinping, chegou ao poder em março de 2013. Destacamos os principais aspetos da marca do líder ao logo da última década

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Em 10 anos ao leme, Xi Jinping acumulou mais poder do que quase qualquer um dos seus antecessores.

Além de ser presidente da República Popular da China e secretário-geral do Partido Comunista chinês, Xi é também o chefe do exército e comandante supremo das tropas chinesas.

Classificado como tecnocrata, quando se tornou presidente, em 14 de março de 2013, a sua base de poder foi considerada frágil, mas, na década seguinte, emergiu como nacionalista e ideólogo e expandiu constantemente o seu poder.

A 11 de março de 2018, o Congresso Nacional do Povo decidiu abolir o limite do mandato presidencial introduzido na década de 1980, permitindo assim que Xi Jinping exercesse funções para além de 2023.

Recordamos algumas das questões e das estratégias que marcaram a dácada Xi, na China.

O líder da nação onde nasceu a Covid-19, combateu a pandemia com medidas draconianas e restrições máximas durante mais de dois anos, vindo a relaxar o sistema após diversas manifestações no país e face à incompreensão do mundo.

Nova Rota da Seda

Logo em 2014, Xi introduziu o conceito da Nova Rota da Seda: As empresas estatais chinesas tornaram-se ativas no estrangeiro. Os projetos de infraestruturas construídos no mundo por empresas chinesas visam matar dois coelhos de uma cajadada: criar novos mercados de venda e ligar os governos - muitas vezes autocráticos - dos países alvo, a Pequim.

Fábrica do mundo

Quando Xi Jinping chegou ao poder, o Império do Meio já era, há muito, a fábrica o mundo, mas a dependência do ocidente da China na transição energética ficou cada vez mais evidente: cerca de 80 por cento de todas as células solares a nível mundial são fabricadas na China.

É necessária muita energia para produzir as células fotovoltaicas, ou solares, e esta provém de centrais elétricas alimentadas a carvão. Metade de todas as centrais elétricas alimentadas a carvão em construção a nível mundial encontram-se na China.

Maior proximidade com a Rússia

Sob Xi Jinping, as relações da China com a Rússia tornaram-se mais fortes, sobretudo após a anexação russa da Crimeia, em 2014. Xi Jinping e Vladimir Putin partilham posições comuns em relação ao "Ocidente" em muitos aspetos, como tem espelhado a crise provocada pela invasão russa e pela guerra na Ucrânia. Em julho de 2017, Putin atribuiu a Xi a Ordem de Santo André, o primeiro apóstolo - a mais alta condecoração da Rússia. A medalha foi entregue no Kremlin a 4 de julho, coincidência, ou não, dia nacional da América.

Repressão no Tibete

A década de Xi Jinping significou 10 anos perdidos para o Tibete, de acordo com a Campanha Internacional para o Tibete (TIC).

A conclusão do diretor-geral da TIC, Kai Müller, é clara: "Sob Xi Jinping, o Tibete foi transformado num estado policial totalitário que serve de campo de ensaio para medidas repressivas. O Partido Comunista está a tentar desligar os tibetanos da sua língua, do seu modo de vida, da sua cultura budista e do seu líder espiritual, o 14º Dalai Lama".

Ameaças sobre Taiwan

Na China, sob Xi, a vigilância e a censura aumentaram, assim como a propaganda nacionalista. Xi fala repetidamente de "grandes mudanças que só ocorrem de cem em cem anos" e fala-se de um "ressurgimento chinês", o que naturalmente também inclui o que Pequim vê como "reunificação" com Taiwan.

A verdade é que o Xi presidente de agora não é o mesmo de há dez anos. Durante o seu mandato como governador de Fujian, Xi ainda trabalhou para incentivar os empresários taiwaneses a investir na China. Na altura, ele contava com uma abertura à economia de mercado. Além disso, a China tinha, no início do seu mandato, assumido uma posição mais crítica em relação à Coreia do Norte, enquanto as relações com a Coreia do Sul estavam a melhorar.

Entretanto, agora ameaça abertamente a anexação de Taiwan e tem intensificado as ameaças militares na região.

Direitos Humanos

A vigilância em massa foi grandemente expandida na última década. Primeiro, a alegada segurança geral levou à instalação de câmaras em espaços públicos, mas com a constante melhoria do reconhecimento técnico de rostos, o seu campo de aplicação foi alargado e inclui a localização e o comportamento de indivíduos identificáveis

Os ativistas dos direitos humanos temem uma intensificação da repressão na China durante o próximo terceiro mandato do líder do Estado e do partido, Xi Jinping. A organização norte-americana Human Rights Watch advertiu que a perpetuação de Xi Jinping no poder não augura nada de bom para os direitos humanos na China e no mundo. A par do Tibete, o caso da minoria muçulmana Uyghur, da província de Xinjiang, é dos mais notórios visto de fora.

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