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Xi Jinping em Moscovo para mostrar apoio a Vladimir Putin

Xi Jinping, presidente da China e Vladimir Putin, presidente da Rússia
Xi Jinping, presidente da China e Vladimir Putin, presidente da Rússia Direitos de autor Alexander Zemlianichenko/AP
Direitos de autor Alexander Zemlianichenko/AP
De  Maria Barradas com Agências
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O presidente chinês iniciou uma visita de três dias a Moscovo, para mostrar apoio a Vladimir Putin, mas espera-se que converse depois com Zelenskyy

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O presidente chinês, Xi Jinping, iniciou esta segunda-feira uma visita de três dias à Rússia, na sua primeira deslocação ao estrangeiro desde que foi reeleito para um histórico terceiro mandato.

Xi visita um dos seus principais aliados, Vladimir Putin, para discutir, entre outras coisas, as tensões com o ocidente, especialmente com os Estados Unidos, e o conflito na Ucrânia, no qual Pequim parece disposto a interceder, uma vez que também tem mantido tradicionalmente boas relações com Kiev.

O líder chinês chegou a Moscovo no dia seguinte à primeira visita de Putin à Ucrânia - especificamente ao porto de Mariupol, na região de Donetsk - desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Na terça-feira, no Kremlin, os dois líderes vão discutir questões da agenda bilateral e internacional e assinar uma série de acordos importantes, numa reunião aberta, após a qual realizam uma conferência de imprensa conjunta.

Joseph Torigian, Professor Assistente e especialista em política chinesa fala do objetivo deste encontro para os dois líderes: "Querem afirmar a parceria estratégica (...) para mostrar que as tentativas da América de dividir a relação e tornar a relação dispendiosa para a China não resultarão. Eles querem mostrar ao mundo em desenvolvimento que podem desempenhar um papel construtivo. Querem evitar custos económicos e reputacionais na Europa".

Mediar o conflito da Ucrânia?

Estão previstas reuniões formais mas, segundo o Kremlin, o que realmente interessa a Moscovo é o encontro informal que Putin e Xi realizam já esta segunda-feira, onde poderão falar "cara a cara" sobre tudo o que quiserem, sem qualquer pressão mediática.

Segundo o conselheiro do Kremlin para as questões internacionais, Yuri Ushakov, serão discutidas neste encontro "as questões mais importantes e sensíveis". Ushakov observou que Moscovo aprecia a posição moderada de Pequim sobre a campanha militar da Rússia na Ucrânia.

Após a visita de três dias à Rússia, Xi deverá ter conversações, por videoconferência com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, naquela que seria a primeira conversa entre os dois desde o início da guerra. Os analistas dizem, no entanto, que a probabilidade de um grande avanço sobre a Ucrânia é pequena.

A iniciativa de paz que a China apresentou há algumas semanas não satisfez nem Kiev, nem Moscovo, nem o ocidente, mas colocou Xi no papel de mediador, papel que ele também desempenhou com sucesso entre dois países aparentemente irreconciliáveis, como a Arábia Saudita e o Irão.

A China não condenou publicamente a invasão russa e critica os EUA por fornecerem armas à Ucrânia e a NATO e por não abordarem as preocupações de segurança russas.

Reforço dos laços bilaterais

No entanto, Pequim apela ao diálogo e ao respeito pela integridade territorial de todos os Estados - incluindo a Ucrânia. "Nenhum país deve ditar a ordem internacional", escreveu Xi Jinping num artigo publicado no jornal russo, Rossiyskaya Gazeta, onde se lê também: "A China sempre defendeu uma posição objetiva e imparcial baseada na substância do problema e tem promovido ativamente as conversações de paz".

Neste artigo surgido na véspera da visita, Xi Jinping apresentou a sua visita como uma "viagem de amizade, cooperação e paz", perante os ocidentais que encaram a relação sino-russa com desconfiança. "Estou ansioso por trabalhar com o Presidente Putin para adotarmos uma nova visão" para as relações bilaterais, escreveu.

O presidente russo, Vladimir Putin, publicou, por seu turno, um artigo no Diário do Povo, o órgão oficial do Partido Comunista Chinês (PCC) distribuído pelo Kremlin, onde diz que a qualidade dos laços entre Moscovo e Pequim é "superior à dos sindicatos políticos e militares da era da Guerra Fria" e aponta a relação com a China como a "a pedra angular da estabilidade regional e global". O chefe do Kremlin escreve ainda que as relações com a China "estimulam o crescimento económico e servem como garante de uma agenda positiva nos assuntos internacionais".

Putin agradece a "atitude equilibrada" da China sobre a "crise ucraniana" e garante que quer resolvê-la por meios políticos e diplomáticos.

Nas conversações entre Pequim e Moscovo participam também os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa russo e chinês para abordarem a cooperação militar e as relações políticas e económicas, que ambos os países consideram estratégicas.

Reação ao mandado do TPI

O encontro entre os líderes russos e chineses acontece após a emissão pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) de um mandado de captura contra Vladimir Putin, pela deportação ilegal de menores do território ocupado pelas tropas russas na Ucrânia, o que o tribunal considera um crime de guerra.

O Kremlin já reagiu, argumentando que o mandado é "legalmente nulo e sem efeito", uma vez que a Rússia não reconhece a jurisdição do TPI.

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O antigo presidente russo Dmitry Medvedev, atualmente vice-presidente do Conselho de Segurança Nacional, disse que o Tribunal de Haia poderia ser alvo de um ataque com mísseis russos.

"Pode-se muito bem imaginar um ataque de alta precisão com um míssil hipersónico russo Oniks de um navio russo no Mar do Norte contra o edifício do tribunal em Haia", escreveu ele na rede social Telegram, exortando os juízes do TPI a "olharem cuidadosamente para o céu".

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