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Irão: "Estamos na fase da desobediência civil, terreno fértil para futuras crises"

Jovem sem véu durante procissão de carros em direção ao cemitério de Aichi, em Sagez, localidade natal de Mahsa Amini (arquivo)
Jovem sem véu durante procissão de carros em direção ao cemitério de Aichi, em Sagez, localidade natal de Mahsa Amini (arquivo) Direitos de autor AFP PHOTO / UGC IMAGE
Direitos de autor AFP PHOTO / UGC IMAGE
De  Blanca CastroEuronews
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A morte de Mahsa Amini a 16 de Setembro de 2022 provocou uma vaga de contestação social no Irão e o regime respondeu com uma repressão impiedosa. Seis meses após o início da crise, qual é a situação no Irão?

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Em meados de Setembro do ano passado, Mahsa Amini estava de visita à família, em Teerão, quando foi detida pela Polícia da Moralidade por alegadamente usar incorrectamente o "hijab" (véu islâmico). 

A 16 de Setembro, após três dias sob custódia policial e sem contacto com a família, Amini, de 22 anos, morreu em circunstâncias suspeitas.

Na altura ninguém suspeitava, nomeadamente o regime teocrático do Irão, que oepisódio levaria a uma vaga de indignação popular que varreria as ruas de todo o país e se transformaria, semanas mais tarde, numa profunda crise social, sem precedentes desde os protestos eleitorais de 2009.

A resposta do regime iraniano aos protestos tem sido brutal, denunciada pela Amnistia Internacional e pela ONG Iran Human Rights (IHR). Estima-se que entre 300 e 500 pessoas, incluindo crianças, tenham sido mortas durante os protestos.

Até agora, o regime executou pelo menos 137 pessoas envolvidas nos protestos, segundo o IHR.

Seis meses depois do início da agitação social no Irão, a situação é de uma "calma tensa", afirmou Daniel Bashandeh, um analista político nascido no Irão à Euronews, desde a sua residência em Espanha:

"Porquê? Porque nos últimos cinco ou seis meses, o que o regime conseguiu através da repressão foi tentar desmobilizar o povo, especialmente nos centros educativos onde decorria a maior parte das manifestações."

Bashandeh acredita também que o anúncio do regime de conceder amnistia a 22.000 detidos é mais um passo na estratégia do regime de "lavar a sua imagem aos olhos da população e tentar pacificar o ambiente" nas ruas.

O papel estratégico do Irão, os aliados de Teerão e a posição da UE

"O que o regime procura é ganhar apoio internacional, tentar sair do isolamento internacional para tentar de alguma forma controlar a evolução política interna, porque sabe que através de alianças estratégicas e, sobretudo, pragmáticas com a Rússia ou a China, o regime de alguma forma acredita ter uma linha de vida. Com o passar do tempo, o que vemos é que o conflito no Irão, a crise interna, está a ser externalizado", afirma Bashandeh.

O Irão e a Arábia Saudita anunciaram um acordo para restabelecer as relações diplomáticas, quebradas por Riade em 2016. 

A República Islâmica também aprofundou o comércio com Pequim e Moscovo, a fim de contornar as sanções impostas pelos EUA e pela União Europeia. 

Bashandeh salienta que as sanções são uma iniciativa boa mas insuficiente e que a resposta da UE pode ser limitada por interesses geopolíticos:

"A UE está a tentar desbloquear o acordo nuclear [iraniano] para uma maior segurança regional e tentar trazer recursos naturais para a Europa, porque a Europa tem uma profunda crise energética e o Irão é um país onde existem grandes reservas de petróleo e gás, pelo que há muitos interesses em jogo."

"É verdade que a União Europeia tem demonstrado o seu apoio ao povo iraniano, especialmente às mulheres iranianas, ao levar a cabo uma série de sanções. Mas insisto, elas não são suficientes para materializar tudo o que está a acontecer, porque estão realmente a exigir mais democracia, estão a exigir mais firmeza."

"As pessoas foram ameaçadas directamente pela embaixada".

Para a tradutora e activista Ryma Sheermohammadi um apoio ocidental mais preciso ao povo iraniano reside na oferta de instrumentos de valor democrático à população:

"Obviamente, não estou a dizer que tem de haver uma intervenção militar e nenhum iraniano a está a pedir. Há muitas coisas que podem ser feitas e o quadro político e jurídico de qualquer país do Ocidente, dentro dos valores da democracia, mostra-nos claramente que há muitas coisas que podem ser feitas para apoiar os cidadãos."

Sheermohammadi também vive em Espanha e está em contacto permanente com a diáspora iraniana na Europa. Ela diz que estar fora do país nos dias de hoje não significa estar "seguro". 

Muitos dissidentes juntaram-se para se manifestarem contra o regime iraniano em diferentes cidades espanholas, o que permitiu que as ameaças anónimas recebidas viessem à luz e tornassem evidente que não se trata de acontecimentos esporádicos.

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"Tem havido pessoas que receberam telefonemas ameaçadores. Há outras pessoas que receberam uma ameaça directamente da Embaixada da República Islâmica nos diferentes países onde vivem. Tem havido pessoas, outros iranianos, que têm sido mensageiros destas ameaças", afirma Sheermohammadi. E acrescenta: "Mas, por outro lado, vemos como os iranianos também se estão a apoiar muito uns aos outros. Tenho muitos amigos que me dizem 'não vou voltar para o Irão'."

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