Rússia e Bielorrússia fora dos Jogos Europeus, Ásia pisca o olho

Rússia e Bielorrússia fora dos Jogos Europeus, Ásia pisca o olho
Rússia e Bielorrússia fora dos Jogos Europeus, Ásia pisca o olho Direitos de autor Jean-Christophe Bott/' KEYSTONE / JEAN-CHRISTOPHE BOTT
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Jogos Europeus decorrem de 21 de junho a 2 de julho na Polónia, edições anteriores foram largamente dominadas pela Rússia

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A terceira edição dos Jogos Europeus tem início marcado para 21 de junho na cidade polaca de Cracóvia e contrariamente ao que aconteceu nas edições anteriores, desta vez, nem todos os países do Velho Continente estarão representados. De fora ficam duas delegações de peso, os dois países que ocuparam as duas primeiras posições na tabela de medalhas em 2019, Rússia e Bielorrússia.

No final de 2022, a Associação de Comités Olímpicos da Europa e o Comité Olímpico da Polónia decidiram excluir os atletas dos dois países da competição devido à invasão da Ucrânia. A posição da organização permanece inalterada e vai ao encontro das diretivas do Ministério dos Desportos e Turismo da Polónia.

Em comunicado publicado a 29 de março, os organizadores da competição reiteraram o apoio às autoridades ucranianas, acrescentando que irão respeitar a vontade ucraniana de não permitir a participação de atletas russos e bielorrussos em eventos desportivos enquanto a guerra causada pela Rússia não tiver terminado.

A posição de Marcin Nowak, presidente do Comité Organizador dos jogos Europeus, não deixa margem para dúvidas: "Não teremos atletas em representação de Rússia e Bielorrússia nos Jogos Europeus de Cracóvia. Não permitiremos que isso aconteça, independentemente dos esforços diplomáticos atualmente em curso."

Comité Olímpico Internacional pressiona para ter Rússia e Bielorrússia nos Jogos

O comunicado da organização polaca surge poucos dias depois de o Comité Olímpico Internacional (COI) ter recomendado o regresso de atletas russos e bielorrussos à competição internacional.

A sugestão feita às federações internacionais fez estalar e polémica e Kiev não demorou a manifestar-se contra a recomendação. O exemplo foi prontamente seguido pela classe política de Alemanha, Lituânia e Polónia e por dirigentes da World Athletics e da Federação Internacional de Ginástica.

Convém realçar que a proposta do COI de permitir o regresso de atletas russos e bielorrussos à competição internacional estabelece alguns critérios para que isso aconteça: atletas que tenham apoiado publicamente a invasão da Ucrânia ou que estejam associados às forças armadas ou a agências de segurança nacionais, ficam de fora. Os restantes, teriam de competir sob bandeira neutra.

O COI tem vindo a adiar uma decisão definitiva sobre a participação dos dois países nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, mas mesmo abrindo as portas à sua participação a título individual, não quer dizer que eles consigam efetivamente marcar presença na capital francesa. Afinal de contas, os Jogos Europeus servem de qualificação para os Jogos Olímpicos em 19 modalidades distintas.

A possível solução asiática

No final de janeiro, o Conselho Olímpico da Ásia (COA) convidou atletas de Rússia e Bielorrússia a estarem presentes nos Jogos Asiáticos que irão decorrer na cidade chinesa de Hangzhou entre os dias 23 de setembro e 8 de outubro: "O COA acredita no poder unificador do desporto e que todos os atletas, independentemente da nacionalidade ou do passaporte que detêm, devem poder participar em competições desportivas."

Uma proposta do agrado do Comité Olímpico Internacional e que caso vá avante, aumenta as probabilidades de russos e bielorrussos se qualificarem para os Jogos Olímpicos em certas modalidades como o polo aquático ou o pugilismo.

É no mundo do boxe, precisamente, que a proposta encontra mais resistência. O responsável técnico da seleção nacional de pugilismo do Japão, Kiyama Shigero, não hesita em criticar o convite efetuado: "São países europeus e não percebo porque devem competir na Ásia. Os países asiáticos são fortes na modalidade, temos o Uzbequistão, a Índia e a Turquia. Porque se devem juntar Rússia e Bielorrússia? Isto vai prejudicar as hipóteses de qualificação dos pugilistas asiáticos."

Após o convite do COA, a Associação de Comités Olímpicos de África manifestou-se favorável à participação de atletas russos e bielorrussos nos Jogos Olímpicos de 2024. Mais de uma centena de dirigentes aprovou por unanimidade uma resolução para permitir o regresso dos desportistas de ambos os países sob bandeira neutra.

O COI nunca conseguirá agradar a gregos e troianos mas a falta de uma decisão definitiva mantém em aberto a possibilidade de um boicote olímpico por parte da Ucrânia, cujos responsáveis já ameaçaram na participar nos Jogos Olímpicos de Paris caso estivessem presentes atletas da Rússia.

Indiferentes à polémica, cerca de sete mil atletas de 48 países preparam-se para a terceira edição dos Jogos Europeus, que decorre entre os dias 21 de junho e 2 de julho. Ambas as edições anteriores foram largamente dominadas pelos atletas russos, que lideraram confortavelmente a tabela de medalhas quer na estreia da competição, em 2015 em Baku, quer na última edição, em 2019 em Minsk. Agora chegou a vez de Cracóvia, onde teremos inevitavelmente um novo país a reclamar a hegemonia desportiva.

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