Primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, anunciou que os participantes na cimeira do G20 em Nova Deli chegaram a um consenso sobre a declaração final
A declaração final da cimeira do G20 em Nova Deli não contém qualquer referência à responsabilidade da Rússia na guerra na Ucrânia. Apesar de ter sido possível atingir um consenso relativamente ao texto, o que muitos duvidavam que fosse possível devido às divergências existentes relativamente ao conflito na Ucrânia, o resultado foi uma declaração final mais suave do que aquele que encerrou a cimeira do ano passado, em Bali.
Então, o grupo das 20 economias mais poderosas tinha aprovado por maioria um texto que condenava "nos termos mais fortes a agressão da Federação Russa contra a Ucrânia" e exigia a sua saída imediata do território.
Desta vez as palavas foram bem mais brandas. Relativamente à guerra na Ucrânia, a declaração final de Nova Deli limita-se a remeter para a Carta das Nações Unidas, que reitera que os membros da ONU devem aceitar as resoluções da organização, que não devem ocupar território à força e que não deve usar armas nucleares nem usá-las como ameaça. Não foi feita qualquer referência específica à Rússia.
Ausências de peso
Vladimir Putin e Xi Jinping foram os grandes ausentes em Nova Deli. Na falta de explicações oficiais, especula-se que o presidente russo, que enviou Sergei Lavrov, quer evitar críticas e as acusações inevitáveis, ou teme a detenção por causa do mandado do Tribunal Penal Internacional, sendo que a Índia não é membro do TPI.
A China, representada pelo primeiro-ministro, Li Qiang, também não explicou porque é que o presidente não comparece. Alguns especialistas dizem que Xi quererá manter um equilíbrio com a Rússia, enquanto outros especulam que Xi não queria enfrentar Biden. Além disso, as relações da China com a Índia não são as melhores no momento.
A Índia assume a presidência do G20 até final de novembro de 2023. O ano da presidência indiana tem sido subordinado ao tema: "Uma Terra, uma Família, um Futuro".
A ideia era transmitir uma mensagem de luta por um crescimento justo e equitativo para todos no mundo, em tempos conturbados, de uma forma sustentável, holística, responsável e inclusiva.
A cimeira ficou ainda marcada pela entrada da União Africana no grupo das economias mais poderosas. O segundo bloco regional a entrar na organização, depois da União Europeia.