Referendo polémico no Montenegro

Recenseamento pode determinar uma nova língua oficial no Montenegro
Recenseamento pode determinar uma nova língua oficial no Montenegro Direitos de autor D.R.
De  Slaven Dimitrić, Euronews Sérvia
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Oposição denuncia pressões de Belgrado sobre a minoria sérvia no país

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Está em marcha um recenseamento tão fundamental como polémico no Montenegro. O inquérito pretende tirar a fotografia socio-demográfica do país, mas a questão da identidade nacional ou étnica presta-se a leituras políticas.

No último Census, em 2011, 45%da população declarou-se montenegrina e mais de 28% por cento sérvia.

A oposição chegou a apelar a um boicote, acusando o governo cessante pró-sérvio de falta de legitimidade. Denunciam também a pressão direta de Belgrado sobre os sérvios que vivem no país.

"O Sr. Vučić [presidente da Sérvia] disse numa televisão que o recenseamento no Montenegro é uma das questões-chave e de interesse vital para a Sérvia. Imagine esta declaração; Imagine se antes de um recenseamento na Sérvia um presidente croata ou montenegrino dissesse o mesmo sobre as suas minorias na Sérvia. Seria, no mínimo, estranho," diz Nikola Rakočević, deputado do DPS, os Nacionalistas Montenegrinos.

Ao longo das estradas da costa marítima, foram colocados cartazes que promovem a identidade sérvia. As autoridades do Montenegro acreditam que mais de 50 por cento dos cidadãos vão declarar que falam a língua sérvia, o que poderá fazer com que a língua sérvia volte a ser utilizada nas escolas e oficialmente no país.

De acordo com a estatística oficial, até alguns dos nacionalistas montenegrinos têm o sérvio como língua nativa. Especialistas defendem que este não pode ser um critério para a identidade nacional.

"Aqueles que eram contra o referendo (os partidos amigos da Sérvia) estão no poder e estão a forçar o recenseamento como uma oportunidade para reforçar os seus argumentos e tentar influenciar a mudança na categoria constitucional-legal e a posição da língua e nacionalidade sérvias," diz Miroslav Doderović, professor da Faculdade de Filosofia da Universidade de Podgorica.

O recenseamento tem vindo a ser adiado desde o início de novembro. O Instituto montenegrino de Estatística avisa que quem recusar participar será multado.

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