Oposição na Sérvia culpa maioria nacionalista pela violência

Os sérvios vão às urnas este domingo
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A frente eleitoral "Sérvia Contra a Violência" organizou um último comício antes das eleições antecipadas deste domingo, onde culpou o Presidente Vucic e o seu partido pela escalada da violência no país.

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Os partidos liberais, democráticos e verdes da Sérvia uniram forças para uma frente eleitoral anti-violência depois do tiroteio numa escola que abalou o país na primavera passada. 

A violência na Sérvia e as relações com o Kosovo foram as razões invocadas pelo Presidente sérvio para convocar eleições legislativas antecipadas. 

A oposição culpa o estilo antidemocrático de Aleksandar Vucic e do seu Partido Progressista Sérvio (SNS) pela violência.

"Estamos a escolher se o partido da máfia governará o país, a lei, ordem e constituição", afirmou Marinika Tepic, vice-presidente do Partido da Liberdade e da Justiça, no último comício da frente "Sérvia Contra a Violência" antes das eleições antecipadas deste domingo.

A oposição e muitos observadores independentes acreditam que o verdadeiro objetivo de Vucic é usar o seu poder constitucional para dissolver o Parlamento e pedir eleições antecipadas, tendo em vista capitalizar um suposto momento de popularidade. A história recente mostra que a convocação de eleições antecipadas é uma tática política habitual na Sérvia. 

Nas últimas eleições, realizadas em abril de 2022, juntamente com as presidenciais, Vucic e o seu Partido Progressista Sérvio (SNS) conseguiram ser reeleitos, apesar de terem sofrido perdas significativas.

Desde que o Partido Progressista Sérvio chegou ao poder em 2012, realizaram-se quatro eleições extraordinárias. Ou seja, em vez do habitual mandato constitucional de quatro anos, a Assembleia Nacional e o Governo estiveram em funções durante uma média de dois anos e quatro meses. 

"Parece-me que mais do que os protestos que surgiram após dois assassinatos em massa em maio, o anúncio das eleições foi influenciado pelos incidentes em Banjska e em Metohija, no Kosovo", salienta Dejan Bursać do Instituto de Filosofia e Estudos Socias de Belgrado. 

"Desta forma, Aleksandar Vucic tenta evitar críticas à questão do Kosovo", continua o investigador, que acredita que "a comunidade internacional não interferirá muito" no processo eleitoral.

"Vucic calcula que com uma vitória do Partido Progressista Sérvio ganhará nova legitimidade, enquanto as velhas crises serão esquecidas", supõe Dejan Bursać.

No passado dia 30 de setembro, paramilitares sérvios emboscaram uma patrulha da polícia em Banjska, no Norte do Kosovo. 

O auge da violência colocou o presidente Vucic sob os holofotes da comunidade internacional, com a União Europeia e os Estados Unidos a instar o presidente sérvio a tomar medidas concretas para facilitar a normalização das relações com o Kosovo. 

No entanto, o Kosovo não é uma questão controversa entre a maioria e a oposição na Sérvia, uma vez que o reconhecimento da independência do Kosovo continua a ser um tabu.

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