Egipto apresenta plano para acabar com guerra em Gaza, OMS preocupada com hospitais

Palestinianos inspeccionam os escombros de um edifício destruído por um ataque israelita no campo de refugiados de Maghazi, no centro da Faixa de Gaza
Palestinianos inspeccionam os escombros de um edifício destruído por um ataque israelita no campo de refugiados de Maghazi, no centro da Faixa de Gaza Direitos de autor Adel Hana/Copyright 2023 The AP. All rights reserved
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Artigo publicado originalmente em inglês

A proposta de três fases do Egito para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza não foi bem acolhida por Israel ou pelo Hamas. Mas os inimigos de longa data também não rejeitaram o plano à partida.

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A proposta egípcia para pôr fim à guerra em Gaza não foi bem acolhida por Israel e pelo Hamas. Mas também não foi completamente rejeitada, o que aumenta a possibilidade de uma nova ronda diplomática para deter a ofensiva israelita.

O plano ambicioso de três fases do Egito exige a libertação gradual de reféns e a formação de um governo de transição palestiniano para administrar a Faixa de Gaza e a Cisjordânia ocupada, de acordo com um alto funcionário egípcio e um diplomata europeu familiarizado com a proposta.

Numa primeira fase, o Egipto sugere um cessar-fogo de duas semanas, em troca da libertação de 40 reféns (mulheres, crianças e homens idosos, especialmente os doentes). Já Telavive libertaria 120 prisioneiros palestinianos e teria de retirar os tanques de Gaza e permitir a entrada de ajuda humanitária.

Numa segunda fase, o Egito levaria a cabo negociações para a formação de um governo na Cisjordânia e Gaza que supervisionaria a reconstrução da Faixa de Gaza e abriria caminho para a realização de eleições legislativas e presidenciais.

A terceira e última etapa prevê um cessar-fogo abrangente, a libertação dos restantes reféns israelitas, incluindo soldados, em troca de um número a determinar de prisioneiros do Hamas e da Jihad Islâmica detidos em Israel (incluindo alguns presos devido aos ataques de 7 de outubro). Israel teria ainda de retirar as suas forças das cidades da Faixa de Gaza e permitir que os habitantes deslocados do norte do enclave regressassem às suas casas.

O funcionário egípcio, que falou sob a condição de anonimato, adiantou que os detalhes do plano foram trabalhados com o Qatar e apresentados a Israel, Hamas, Estados Unidos e governos europeus. O Egito e o Qatar têm mediado as conversações entre Israel e o Hamas. Já os Estados Unidos são o aliado mais próximo de Israel e uma potência-chave na região.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, não comentou diretamente a proposta. Contudo, num artigo de opinião no The Wall Street Journal deixou "três pré-requisitos para a paz": destruir o Hamas, desmilitarizar a Faixa de Gaza e "desradicalizar toda a sociedade palestiniana".

O gabinete de guerra israelita esteve reunido esta noite para discutir a proposta.

O líder do Hamas na Faixa de Gaza, Yahya Sinwar, disse na segunda-feira, dia de Natal, na sua primeira mensagem pública desde o início da guerra, que esta é uma "batalha feroz, violenta e sem precedentes" contra Israel.

Benjamin Netanyahu respondeu no mesmo dia que Israel expandirá a sua ofensiva terrestre em Gaza nos próximos dias, apesar de os esforços internacionais para travar os combates. Dirigindo-se a membros do seu partido Likud, Netanyahu insistiu que a guerra "não está perto do fim".

OMS diz que hospitais em Gaza não estão a conseguir dar resposta

A Organização Mundial da Saúde (OMS) visitou o Hospital Al-Aqsa, na segunda-feira, onde dezenas de feridos deram entrada durante a noite na sequência de mais ataques no centro de Gaza, incluindo nas imediações do campo de refugiados de Maghazi. 

As autoridades de saúde palestinianas, sob a alçada do Hamas, informaram que 70 pessoas foram mortas. Já funcionários do Hospital Al-Aqsa reportaram pelo menos 100 mortos.

De acordo com a OMS, o hospital não tem número de camas nem equipas médicas suficientes para a quantidade de pacientes que está a receber. 

A guerra devastou grande parte de Gaza e matou mais de 20.600 palestinianos. Autoridades das Nações Unidas alertaram que um quarto da população está a morrer de fome sob o cerco de Israel ao território, que não tem permitido a entrada de mantimentos.

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