Debate Euronews em Davos: O alargamento é uma oportunidade económica?

Debate Euronews em Davos: O alargamento é uma oportunidade económica?
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De  Oleksandra Vakulina
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Num debate organizado pela Euronews no Fórum Económico Mundial, em Davos, políticos da Ucrânia, Montenegro e Bulgária e o diretor executivo de um grande grupo mundial dão a sua opinião sobre os benefícios do alargamento da União Europeia a leste.

Quase vinte anos após "alargamento Big Bang" da UE em 2004, a ambição de longa data de aceitar novos membros ganhou um novo fôlego. Para além dos argumentos morais e geopolíticos a favor da expansão da UE para leste, será que existe um argumento comercial a favor, em especial para os eleitores europeus preocupados com o emprego e a inflação, mas também para as empresas preocupadas com a estagnação da produtividade na UE?

Falámos sobre este assunto à margem da reunião anual do Fórum Económico Mundial, em Davos, com Milojko Spajić, primeiro-ministro do Montenegro, Rostyslav Shurma, vice-chefe de gabinete do presidente da Ucrânia, Mariya Gabriel, vice-primeira-ministra e ministra dos Negócios Estrangeiros da Bulgária e ex-comissária europeia, e Christian Levin, Presidente e CEO da Scania (Suécia), membro da Aliança de CEO e Líderes Climáticos.

Mariya Gabriel: "O alargamento transforma os factores externos em algo que podemos gerir"

Durante o nosso debate, a antiga comissária europeia Mariya Gabriel disse acreditar que não é "por causa da Rússia" que estamos a falar novamente sobre a adesão dos Balcãs Ocidentais à UE. Relembra a importância da cimeira UE-Balcãs Ocidentais em 2018 e os seus resultados, depois "a agenda digital, o programa de inovação, o novo plano de crescimento que temos hoje", sublinhando os "enormes investimentos" feitos pela UE.

A atual vice-primeira-ministra da Bulgária sublinhou ainda que "o alargamento mostra sempre que temos este conjunto de jovens qualificados que, como resultado, não deixarão a sua região e estarão realmente onde é preciso para ajudar a criar e para moldar as soluções do futuro".

Gabriel vê também este processo, em que diz que "os benefícios superam em muito os riscos", como uma forma de expandir o mercado, mas também como um baluarte contra a inflação. "Há muitos fatores externos que a favorecem, [mas] o alargamento transforma-os em algo que podemos gerir, ou mesmo controlar, para pelo menos integrar e reduzir alguns dos riscos", garante.

Christian Levin: "Novos mercados muito competitivos"

A Scania investiu fortemente em alguns dos países que aderiram à UE em 2004, como a Polónia. O CEO da Scania fala sobre o desenvolvimento da sua empresa nesse país desde a adesão.

"As nossas vendas de veículos na Polónia e em todo o mercado polaco quintuplicaram; se olharmos para as nossas vendas de serviços, tão importantes para a rentabilidade de uma empresa fornecedora de camiões, elas foram multiplicadas por 10", orgulha-se Christian Levin, cuja empresa também está presente na Ucrânia há trinta anos. "Não podemos deixar de encorajar outras empresas privadas a aproveitarem a oportunidade para investirem na Ucrânia", afirma. "A título de exemplo, acabámos de ter o nosso melhor ano na Ucrânia em 2023, devido às enormes necessidades de transporte que estão a surgir, em parte devido à guerra e em parte devido ao desenvolvimento do país", salienta.

Não podemos deixar de encorajar outras empresas privadas a aproveitarem a oportunidade para investirem na Ucrânia.
Christian Levin
CEO da Scania

Quanto a outros potenciais futuros membros, acredita que "vamos assistir a este boom, não só na Ucrânia, mas também no Montenegro e noutros países que vão aderir à UE, em proporções semelhantes. Alguns dos novos mercados da UE são muito competitivos, o que é bom para nós", acrescenta.

Milojko Spajić: "Um sinal forte para o setor privado"

Embora o Montenegro seja especificamente considerado como um dos países candidatos mais bem-sucedidos na vizinhança oriental da UE, o primeiro-ministro Milojko Spajić recorda o caminho percorrido. "Anteriormente, o Montenegro era mais parecido com a Mongólia ou o Cazaquistão em termos de estrutura económica, mas, em termos geopolíticos e estratégicos, estávamos orientados para Bruxelas e essa incompatibilidade não funciona a longo prazo", garante. "Por isso, se quisermos fazer parte do clube, temos de estar em sintonia com a economia e com os valores, e penso que essa é a combinação vencedora", sublinha.

Se quisermos fazer parte do clube, temos de estar em sintonia com a economia e com os valores.
Milojko Spajić
Primeiro-ministro do Montenegro

Apesar de o desempenho económico do seu país ser bom, acredita que "o plano de crescimento da UE é muito importante porque envia um sinal forte ao setor privado".

Milojko Spajić congratula-se com o facto de a União estar a acelerar o ritmo. "Vamos assistir a um grande ciclo de investimento nos próximos cinco a seis anos no Montenegro, esperamos que as empresas e os intermediários financeiros da UE sejam muito mais activos do que eram antes, estamos preparados para isso e penso que a União está finalmente preparada", insiste.

Rostyslav Shurma: "A Ucrânia tem coisas para trazer à UE"

O entusiasmo da Ucrânia pela adesão à UE voltou a colocar o alargamento no topo da agenda política. A Ucrânia é o maior e mais populoso país candidato, a seguir à Turquia, e está a responder a uma agressão há quase dois anos, no contexto de uma invasão em grande escala. Alguns dos eleitores e Estados-membros da UE podem estar preocupados com o facto de esta poder, por assim dizer, "digerir" facilmente a Ucrânia.

"A União Europeia era muito mais pequena quando acolheu a Polónia e a 'digeriu', por isso não creio que seja um problema", diz Rostyslav Shurma. "A Ucrânia tem coisas a trazer para a UE, em termos de segurança, defesa e tecnologia militar", sublinha, nomeadamente: "Uma indústria que serve a defesa e a segurança da União Europeia como um todo, [mas também] uma contribuição muito boa para a produção industrial, para o domínio de certos recursos nas cadeias de valor, [graças] aos recursos naturais, de que a União Europeia atualmente carece", e isto, segundo ele, para "tornar todo o sistema energético mais sólido e mais sustentável".

"Por isso, vejo isto como um projeto comercial a longo prazo, no qual se pode obter um retorno satisfatório do investimento ao investir no desenvolvimento destes territórios", conclui.

Veja o debate na íntegra clicando no vídeo.

Nome do jornalista • Oleksandra Vakulina

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