Advogados dos EUA alegam que revelações de Assange colocaram vidas em risco

Julian Assange tem mobilizado uma forte campanha mediática e popular pela sua libertação
Julian Assange tem mobilizado uma forte campanha mediática e popular pela sua libertação Direitos de autor Kin Cheung/Copyright 2024 The AP. All rights reserved
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De  Ricardo Figueira com AP
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Decorrem em Londres as audiências do processo de extradição do fundador do WikiLeaks. O australiano de 52 anos pode ser extraditado para os EUA e condenado a prisão perpétua.

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Esta quarta-feira, Julian Assange enfrentou um segundo dia de audiências, em Londres, no processo que pode levar à extradição para os Estados Unidos. O governo norte-americano acusa o fundador do WikiLeaks de espionagem, por ter publicado documentos confidenciais.

Os advogados de Washington alegam que Assange colocou vidas de inocentes em risco com estas atividades.

Assange está retido no Reino Unido desde 2010, tendo ficado refugiado na embaixada do Equador entre 2012 e 2019, altura em que o país sul-americano revogou a cidadania anteriormente concedida e foi preso pelas autoridades britânicas. Mantém que não fez nada de ilegal e que o material que publicou é do interesse público.

O australiano de 52 anos está acusado de 17 crimes de espionagem e um crime de uso indevido de computador pela publicação de um grande conjunto de documentos secretos dos EUA, há quase 15 anos. Os procuradores norte-americanos alegam que Assange encorajou e ajudou a analista dos serviços secretos do exército americano Chelsea Manning a roubar cabos diplomáticos e ficheiros militares que o WikiLeaks publicou mais tarde, pondo vidas em risco. Entre os documentos publicados estão provas de alegados excessos cometidos pelas tropas dos EUA no Iraque, que terão resultado na morte de civis.

Entrevista da advogada de Julian Assange

Os advogados de Assange afirmam que, se for condenado, poderá incorrer numa pena de até 175 anos de prisão, embora as autoridades norte-americanas tenham afirmado que a pena será provavelmente muito mais curta. As autoridades britânicas comprometeram-se a não extraditar Assange se houver uma possibilidade de ser condenado à morte nos EUA.

O WikiLeaks informou que Assange não compareceu no tribunal na quarta-feira e na terça-feira porque não se encontra bem. A mulher, Stella Assange, disse que Julian queria estar presente, mas "não está em boas condições".

A família e os apoiantes de Assange afirmam que a sua saúde física e mental foi afetada pela batalha jurídica que dura há 14 anos, incluindo os sete anos de autoexílio na Embaixada do Equador em Londres e os últimos cinco anos na prisão de alta segurança nos arredores da capital britânica onde está atualmente detido.

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