Netanyahu promete "terminar trabalho em Rafah". Pelo menos dez mortos em ataque no centro de Gaza

Palestinianos fazem fila para terem acesso a uma refeição gratuita em Rafah, na Faixa de Gaza.
Palestinianos fazem fila para terem acesso a uma refeição gratuita em Rafah, na Faixa de Gaza. Direitos de autor Fatima Shbair/Copyright 2024 The AP. All rights reserved.
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Forças israelitas lançaram investidas em vários pontos da Cisjordânia ocupada, onde quatro palestinianos foram mortos, além do ataque no centro de Gaza que matou pelo menos dez pessoas. Reino Unido pediu que Israel abra um dos seus portos para permitir a entrada de ajuda em Gaza por mar.

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Pelo menos 10 palestinianos, incluindo três crianças e uma mulher, foram mortos num ataque aéreo israelita a Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, na noite de terça-feira. As forças israelitas atacaram também a cidade de Gaza e Khan Younis, segundo a Wafa, agência de notícias palestiniana, citada pela Al Jazeera

"O número de crianças mortas em pouco mais de quatro meses em Gaza é superior ao número de crianças mortas em quatro anos de guerras em todo o mundo", escreveu Philippe Lazzarini, diretor da agência das Nações Unidas de assistência aos palestinianos (UNRWA) na rede social X.

Raides israelitas na Cisjordânia ocupada

Pelo menos quatro palestinianos foram mortos durante ataques israelitas em vários locais da Cisjordânia ocupada. A última vítima foi um jovem que foi baleado no chão de um hospital em Jenin.

As forças israelitas invadiram a cidade e o campo de refugiados de Jenin, destruindo infraestruturas e entrando em confronto com combatentes palestinianos, nomeadamente as Brigadas de Jenin, um grupo de resistência palestiniano. 

Dezenas de veículos militares e bulldozers israelitas, apoiados por drones e por uma unidade especial à paisana, participaram na ivestida. 

Foram ainda registados ataques israelitas noutras localidades da Cisjordânia, designadamente em Anabta, a leste de Tulkarem, onde foram disparados tiros, e na aldeia de Burin, a sul de Nabus, com as forças israelitas a atacarem um veículo, ferindo um homem de 35 anos e o seu filho de três meses.

Desde 7 de outubro, um total de 430 palestinianos, incluindo 115 crianças e três mulheres, foram mortos na Cisjordânia ocupada por ataques do exército israelita e de colonos, segundo o Ministério da Saúde palestiniano e a Sociedade Palestiniana de Prisioneiros.

Netanyahu promete "terminar o trabalho em Rafah"

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou na terça-feira que vai "garantir que Gaza nunca mais represente uma ameaça para Israel".

Netanyahu reiterou a promessa de alargar a ofensiva terrestre à cidade de Rafah, no sul do enclave, onde metade da população de Gaza procurou refúgio, e continuar a lutar até que o Hamas seja desmantelado e todos os prisioneiros que detém sejam devolvidos.

O chefe do governo de Israel assegura que as forças armadas estão a minimizar o número de vítimas civis.

"Vamos terminar o trabalho em Rafah, permitindo que a população civil saia do perigo. Tomámos medidas para minimizar as baixas civis que nenhum outro exército tomou na história", afirmou. 

Reino Unido pede a Israel abertura de porto para entrada de ajuda

O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, David Cameron, instou Israel a abrir um dos seus portos para permitir a entrada de ajuda humanitária em Gaza por via marítima.

"Se Israel quisesse realmente ajudar, poderia abrir o porto de Ashdod, em Israel, que é um porto em pleno funcionamento, o que poderia maximizar a entrega de ajuda de Chipre diretamente a Israel e, consequentemente, a Gaza", sublinhou Cameron na intervenção na Câmara dos Lordes, numa altura em que o navio da ONG espanhola Open Arms está a caminho de Gaza com ajuda para o território palestiniano.

O antigo primeiro-ministro britânico deixou claro que o apoio humanitário por terra não pode ser descurado. 

"Temos colaborado com a Jordânia nas entregas de ajuda humanitária e estamos agora a trabalhar com parceiros para operacionalizar um corredor de ajuda marítima a partir de Chipre. No entanto, isto não pode substituir a entrega por terra, que continua a ser a melhor forma de fazer chegar a ajuda à escala necessária", frisou.

"Israel tem de eliminar as restrições à ajuda e restabelecer a eletricidade, a água e as telecomunicações", acrescentou.

Entrega de comida por via aérea

Na terça-feira, a Força Aérea dos Estados Unidos divulgou um vídeo que mostrava um HC-130J Combat King II a lançar ajuda humanitária no norte de Gaza. O avião tinha sido carregado num local não revelado antes de efetuar a operação.

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De acordo com a Força Aérea americana, o lançamento aéreo, que teve lugar a 8 de março, incluiu 16 pacotes de alimentos, com arroz, farinha, leite, massa e comida enlatada, "fornecendo refeições aos civis mais necessitados de assistência devido ao conflito em curso na região".

Ainda assim, os grupos de ajuda humanitária alertam que só a entrega de camiões em grande escala pode evitar a fome.

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