Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, da Polónia e da França reunem-se hoje em Paris para discutir as consequências de uma eventual tomada de posse da Gronelândia pelos EUA.
Numa entrevista à estação de rádio francesa, France Inter, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês Jean-Noël Barrot afirmou: "queremos agir, mas queremos fazê-lo em conjunto com os nossos parceiros europeus". Barrot referia-se a uma possível invasão da Gronelândia pelos EUA.
O ministro dos Negócios Estrangeiros francês já tinha publicado um vídeo no X em que se manifestava claramente contra o domínio dos EUA na Gronelândia: "A Gronelândia não está à venda nem pode ser adquirida. É um território europeu".
Barrot também falou com o Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio: "Ele excluiu a possibilidade de uma repetição dos acontecimentos da Venezuela na Gronelândia."
Wadephul: "A NATO está a defender a Gronelândia"
Até agora, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wadephul, tem sido mais reservado. Numa conferência de imprensa na Lituânia, no início desta semana, limitou-se a dizer que a Gronelândia faz parte do Reino da Dinamarca. "E uma vez que a Dinamarca é membro da NATO, a Gronelândia terá, em princípio, de ser defendida pela NATO", acrescentou Wadephul.
"Se existirem requisitos adicionais para reforçar os esforços de defesa no que respeita à Gronelândia, teremos de os discutir entre nós no âmbito da aliança", acrescentou Wadephul.
O presidente dos EUA, Donald Trump, reafirmou recentemente as suas reivindicações territoriais sobre a ilha dinamarquesa: "Precisamos da Gronelândia em termos de segurança nacional".
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Radosław Sikorski, também tem uma visão crítica das exigências de Trump.
"A Polónia apoia naturalmente a unidade territorial do aliado Reino da Dinamarca", escreveu ele no X no final de dezembro. "Apesar das diferenças políticas, o direito internacional deve ser defendido."
Os diplomatas também querem discutir a ajuda à Ucrânia no diálogo trilateral, tal como anunciado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros francês.
Os representantes ocidentais e a Ucrânia já tinham acordado em garantias de segurança juridicamente vinculativas numa reunião da "Coligação dos Dispostos" em Paris. Estas garantias destinam-se a assegurar a paz na Ucrânia em caso de cessar-fogo.
O "Triângulo de Weimar" é um fórum de diálogo informal sobre política externa entre a Alemanha, a França e a Polónia. Neste diálogo, os três países pretendem chegar a acordos políticos e reforçar a integração europeia.