Os exercícios conjuntos estavam inicialmente previstos para novembro de 2025, mas foram adiados.
Um navio de guerra russo chegou a uma base naval ao largo da costa sul-africana, na sexta-feira, para se juntar a navios chineses e iranianos em exercícios militares que correm o risco de prejudicar ainda mais as relações de Pretória com Washington.
Um contratorpedeiro, um navio de reabastecimento chineses e um navio iraniano de base avançada navegaram em águas sul-africanas no início desta semana, antes das manobras de uma semana que deverão começar no sábado.
A China é a nação líder no exercício "Will for Peace 2026", que envolve as marinhas do grupo BRICS de 11 nações, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rotulou de "antiamericano".
A marinha sul-africana disse que confirmaria os detalhes dos navios presentes ainda na sexta-feira.
Os exercícios permitirão que as marinhas "troquem as melhores práticas e melhorem as capacidades operacionais conjuntas, o que contribui para a segurança das rotas marítimas e a estabilidade marítima regional geral", disse a força de defesa da África do Sul.
A Rússia e o Irão tornaram-se aliados próximos durante a guerra total que Moscovo está a travar na Ucrânia, com Teerão a fornecer drones que a Rússia utiliza habitualmente em bombardeamentos diários contra alvos civis e infraestruturas em toda a Ucrânia.
Entretanto, esta semana, Washington apreendeu um petroleiro russo que, segundo o governo, fazia parte de uma frota sombra que transportava petróleo para países como a Venezuela, a Rússia e o Irão.
Ameaçou também tomar medidas contra Teerão, no caso de serem mortos manifestantes nos crescentes protestos provocados pelo aumento do custo de vida.
Os exercícios conjuntos estavam inicialmente previstos para novembro de 2025, mas foram adiados devido à cimeira do G20 em Joanesburgo.
Washington boicotou a cimeira no meio de tensões com a África do Sul, relacionadas com os seus laços com a Rússia e o Irão.
Em outubro, a administração Trump anunciou que estava a restringir o número de refugiados que admite anualmente a 7.500 e a dar prioridade aos sul-africanos brancos.
A Casa Branca anunciou o programa em fevereiro, afirmando que o grupo enfrenta discriminação e violência no seu país. O governo do país negou veementemente essa caraterização.
"Reiteramos que as alegações de discriminação são infundadas", afirmou o ministério das Relações Interiores da África do Sul em maio.
"É muito lamentável que pareça que a reinstalação de sul-africanos nos Estados Unidos, sob o pretexto de serem 'refugiados', seja inteiramente motivada por razões políticas e destinada a pôr em causa a democracia constitucional da África do Sul."