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Verificação de factos: Elon Musk está a permitir que a Rússia use a Starlink para atacar a Ucrânia?

Um foguetão Falcon 9 da SpaceX com uma carga útil de aproximadamente 60 satélites para a rede de banda larga Starlink da SpaceX descola do Complexo de Lançamento Espacial 40, quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
Um foguetão Falcon 9 da SpaceX com uma carga útil de aproximadamente 60 satélites para a rede de banda larga Starlink da SpaceX descola do Complexo de Lançamento Espacial 40, quarta-feira, 29 de janeiro de 2020 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Tamsin Paternoster & Noa Schumann
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As alegações de que as forças russas estão a aceder cada vez mais à Starlink na Ucrânia suscitaram questões sobre o funcionamento da tecnologia e a complexidade de restringir o acesso.

O ministro dos Negócios Estrangeiros polaco, Radosław Sikorski, acusou recentemente o serviço de Internet por satélite de Elon Musk de "ganhar dinheiro com crimes de guerra", devido a alegações de que a tecnologia estava a ser utilizada pelas forças russas para ajudar a atingir a Ucrânia.

A acusação, feita a 27 de janeiro, seguiu-se a novas provas do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW na sigla original), sediado nos EUA, que afirmou que as forças russas estavam a utilizar cada vez mais os sistemas de satélite Starlink para aumentar significativamente o alcance dos drones de ataque.

Na sequência das alegações, o Ministério da Defesa da Ucrânia e a empresa de Musk, SpaceX, anunciaram que iriam trabalhar em conjunto para impedir as forças russas de utilizar o Starlink. Mas o que é a tecnologia e há alguma prova de que Musk está a permitir que seja utilizada pela Rússia?

O que é a Starlink?

A Starlink é uma rede de Internet por satélite operada pela Starlink Services, um fornecedor de telecomunicações que é uma subsidiária da SpaceX de Elon Musk. Atualmente, cobre cerca de 150 países e territórios.

Tem sido amplamente utilizada desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, tanto para fins humanitários como militares, com custos parcialmente cobertos pelo Ministério da Defesa dos EUA desde junho de 2023.

Desde março de 2025, o Ministério dos Assuntos Digitais polaco paga cerca de 50 milhões de dólares (42,4 milhões de euros) por ano para apoiar os serviços Starlink na Ucrânia.

A Starlink é utilizada pelos militares para comunicar no campo de batalha, por agências governamentais para manter os serviços públicos e os sistemas de identificação digital em funcionamento e por hospitais e serviços de emergência durante cortes de energia.

Musk afirmou anteriormente que a Starlink é proibida para operações militares ofensivas ao abrigo dos termos de serviço da empresa e recusou-se a ativá-la sobre a Crimeia ocupada pela Rússia, alegando preocupações com uma escalada.

No entanto, Victoria Samson, analista de segurança espacial da Secure World Foundation, disse ao Cubo, a equipa de verificação de factos da Euronews, que a Starlink pode ser utilizada para apoiar ataques de drones, permitindo a comunicação de longo alcance entre os operadores.

Os drones equipados com Starlink também são resistentes ao bloqueio das forças ucranianas.

O que é que sabemos sobre a utilização russa?

Já em 2024 surgiram relatos de forças russas a aceder aos serviços Starlink. Na altura, a SpaceX afirmou que não vendia nem enviava a Starlink para a Rússia e que não tinha relações comerciais com o governo ou as forças armadas russas.

Além disso, as sanções internacionais e os controlos de exportação impostos à Rússia significam que, em teoria, deveria ser difícil para as tropas de Moscovo adquirir legalmente o hardware da tecnologia.

No entanto, as autoridades ucranianas afirmam ter provas de "centenas" de ataques de drones russos equipados com terminais Starlink, que permitem aos operadores russos contornar as defesas eletrónicas ucranianas que desativam os drones ao bloquear os sinais de GPS e de rádio.

O conselheiro ucraniano para as tecnologias de defesa, Serhiy Beskrestnov, afirmou também no Telegram que a tecnologia Starlink pode ter estado envolvida num recente ataque de um drone russo a um comboio de passageiros na região de Kharkiv, que matou cinco pessoas.

Nesta foto fornecida pelo Serviço de Emergência Ucraniano, bombeiros apagam fogo depois de drones russos terem atingido um comboio de passageiros, a 27 de janeiro de 2026.
Nesta foto fornecida pelo Serviço de Emergência Ucraniano, bombeiros apagam fogo depois de drones russos terem atingido um comboio de passageiros, a 27 de janeiro de 2026. AP/Ukrainian Emergency Service via AP

Melanie Garson, professora associada de segurança internacional na University College London, disse ao Cubo que as provas disponíveis sugerem que Moscovo está a adquirir a Starlink através de meios ilícitos, seja através de aliados que os fornecem, capturando-os no terreno, ou comprando-os em mercados secundários ou sombra.

Na sequência das alegações, o Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou que estava a trabalhar com a SpaceX para restringir a utilização não autorizada da Starlink.

O ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, anunciou a introdução de um sistema de verificação descrito como uma "lista branca", permitindo que apenas os terminais Starlink registados operem dentro da Ucrânia.

Musk afirmou que a iniciativa parece ter sido bem sucedida e instou Kiev a assinalar quaisquer casos remanescentes de "utilização não autorizada". Os seus comentários mereceram elogios dos ucranianos.

Porque é que é difícil bloquear o acesso?

Os especialistas afirmam que restringir o acesso russo à Starlink numa zona de guerra é tecnicamente complexo, principalmente porque se corre o risco de cortar o acesso também aos utilizadores ucranianos.

Samson disse que a SpaceX pode limitar a cobertura da rede da Starlink por meio de "geofencing", que permite que o sistema opere apenas em regiões definidas.

No entanto, isto é difícil numa linha da frente ativa, onde a linha está sempre a "andar para trás e para a frente" e corre o risco de perturbar a utilização da Starlink pelos ucranianos.

O assistente de investigação sénior David Bacci, do Instituto de Termofluidos de Oxford, afirmou que as interrupções da Starlink comunicadas pela Ucrânia em 2024 podem ter sido causadas pelo "geofencing", uma vez que a Starlink tentou cortar o acesso à utilização russa do sistema.

Existem desafios adicionais no encerramento de terminais Starlink que tenham sido capturados ou desviados.

Em última análise, não há provas de que Elon Musk ou a SpaceX tenham fornecido diretamente serviços Starlink às forças russas.

Segundo analistas independentes, é provável que as tropas russas tenham acedido aos terminais Starlink através de captura ou de mercados ilícitos e que os tenham utilizado ilegalmente para apoiar operações com drones.

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