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UE ainda não substitui a Starlink de Musk, mas está no bom caminho, diz Kubilius à Euronews

Comissário Kubilius durante um painel na 18.ª Conferência Europeia do Espaço
Comissário Kubilius num painel da 18.ª Conferência Europeia do Espaço Direitos de autor  Euronews
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De Sasha Vakulina
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Comissário europeu da Defesa à Euronews: EUA são indispensáveis para a segurança da UE, sobretudo no espaço. “Quando houver o IRIS², será melhor que o Starlink.” A UE ainda não lá chegou.

O programa de Comunicações Governamentais por Satélite da União Europeia (GOVSATCOM) é uma peça há muito aguardada de uma estratégia mais ampla da UE e o primeiro passo na conectividade por satélite, disse à Euronews o comissário europeu para a Defesa e o Espaço, Andrius Kubilius.

Salientou que, realisticamente, a Infraestrutura para Resiliência, Interconetividade e Segurança por Satélite (IRIS²) (o projeto mais ambicioso da UE, uma constelação multiorbital de 290 satélites) só estará operacional por volta de 2029.

“Para evitar um hiato de vários anos, sobretudo numa altura em que os desafios e ameaças geopolíticos chegam de vários lados, precisamos claramente de desenvolver algumas capacidades preliminares de comunicações por satélite seguras, e foi isso que fizemos com o GOVSATCOM", disse na quarta-feira, na Conferência Europeia do Espaço, em Bruxelas.

Kubilius defendeu que a UE deve adotar uma abordagem muito racional quanto à dependência dos EUA para a sua defesa e segurança, na Terra e no espaço.

“Os EUA anunciaram recentemente a sua estratégia de defesa nacional, que usa uma linguagem muito clara: a prioridade será o Indo-Pacífico e o Hemisfério Ocidental", afirmou, acrescentando que Washington deverá “pedir aos europeus que assumam mais responsabilidades” na defesa do bloco para “reduzir a sua presença aqui e ser muito mais forte nessas áreas prioritárias”.

'Precisamos de criar capacidades próprias'

Segundo Kubilius, o maior problema e desafio na dependência de terceiros são as chamadas “capacidades habilitadoras estratégicas”, em grande medida fornecidas pelos EUA.

“Dependemos bastante, desde logo, de serviços espaciais, mas também do que podemos chamar serviços materiais, como o reabastecimento aéreo, por exemplo, ou capacidades de transporte aéreo pesado, entre outras.”

É, por isso, crucial e urgente que o próprio bloco assegure estas capacidades.

“Quando tivermos o IRIS², será melhor do que o Starlink", disse Kubilius, referindo-se à avançada constelação de satélites da SpaceX de Elon Musk. No entanto, admitiu que, por agora, a UE ainda não está nesse ponto.

“Precisamos de criar capacidades para garantir que não ficamos sem qualquer capacidade", disse o comissário.

“É por isso que o GOVSATCOM é o primeiro passo nesse sentido. Naturalmente, a qualidade do serviço, ou, diria, o volume do serviço, é inferior ao que teremos com o IRIS², mas estamos a avançar na direção certa.”

UE e os 'exércitos bonsai'

Kubilius sublinhou que a UE, atualmente, não consegue substituir os EUA em várias áreas ligadas à defesa, do guarda-chuva nuclear às tropas no terreno, caso Washington retire militares.

Os EUA têm até 100 mil militares estacionados na Europa, disse Kubilius, sublinhando que desempenham um “papel muito importante” e conseguem deslocar-se rapidamente pelo continente.

“São aquilo a que especialistas chamam uma força militar que funciona como espinha dorsal na Europa. A questão é como vamos substituir essa capacidade.”

A UE, por seu lado, tem 27 exércitos separados, lembrou Kubilius, recordando como o antigo chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, apelidou alguns deles de “exércitos bonsai”: “muito bonitos, muito caros, mas pequenos”.

Questionou se o bloco consegue substituir tropas dos EUA, “que estão realmente treinadas como um exército permanente e coeso, por uma combinação de 27?”, acrescentando que há dúvidas de que um exército europeu produza o mesmo efeito.

Kubilius apontou também que essas forças teriam de ser capazes de enfrentar a Rússia, que descreveu como “a maior ameaça, em termos convencionais, à segurança europeia”.

“Se a Rússia começar uma agressão contra Estados-membros da União Europeia, virá com uma força militar testada em combate", afirmou, explicando que, do lado da UE, “não temos essa experiência”.

“Do nosso lado, podemos dizer que só os ucranianos têm essa experiência. Por isso, para nós, a questão não é apenas como construir, como gastar mais dinheiro em defesa enquanto europeus, mas também como integrar as capacidades testadas em combate da Ucrânia com as nossas.”

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