Keiko Fujimori e Rafael López Aliaga deverão defrontar-se na segunda volta, a 7 de junho, de acordo com a sondagem da Datum Internacional. Estas eleições ficaram marcadas por atrasos na contagem dos votos e falta de material eleitoral.
A candidata de direita Keiko Fujimori, do partido Força Popular, e o candidato de extrema-direita Rafael López Aliaga, do partido Renovação Popular, deverão disputar a segunda volta das eleições presidenciais no Peru no próximo dia 7 de junho, de acordo com uma contagem à boca das urnas da empresa Datum Internacional.
Fujimori, filha do antigo presidente Alberto Fujimori, surge como a candidata mais votada, embora esteja longe dos 50% necessários para evitar a segunda volta, segundo as primeiras sondagens. Em declarações à AFP, após a divulgação dos resultados preliminares, a conservadora reivindicou o resultado como uma vitória frente à esquerda e afirmou que se trata de um triunfo frente ao "inimigo" político.
A disputa pelo segundo lugar, que dá acesso à segunda volta, tem sido renhida nos primeiros dados, embora o também candidato de extrema-direita Rafael López Aliaga, conhecido pelo apelido "Porky", apareça entre os mais bem posicionados.
As autoridades eleitorais, incluindo o Gabinete Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), ainda não confirmaram os resultados definitivos. A recontagem prossegue num processo marcado por atrasos e problemas logísticos.
Mais de 50 000 pessoas não votaram no domingo
Os eleitores peruanos terão de esperar pelo menos até segunda-feira para conhecer o resultado das eleições presidenciais de domingo, depois do processo ter sido afetado por problemas logísticos que impediram milhares de pessoas, tanto no país como no estrangeiro, de votar.
Os problemas levaram as autoridades eleitorais a permitir que mais de 52 000 residentes da capital peruana, Lima, votassem na segunda-feira. A prorrogação, anunciada após o início da contagem dos votos no domingo à noite, inclui também os peruanos registados para votar nas cidades norte-americanas de Orlando (Florida) e Paterson (Nova Jérsia).
As eleições decorrem num contexto de aumento da criminalidade violenta e de corrupção, o que tem alimentado um descontentamento generalizado entre os eleitores, que, na sua maioria, consideram que os candidatos são desonestos e que não estão preparados para a presidência.
Um antigo ministro, um comediante e uma herdeira política figuram entre os 35 candidatos que disputam o cargo de nono presidente do Peru em apenas 10 anos. Muitos dos candidatos responderam à preocupação com a criminalidade com propostas de grande alcance, como a construção de megaprisões, a restrição da alimentação dos reclusos e o restabelecimento da pena de morte para crimes graves.
"Há muita criminalidade, muitos assaltos em cada esquina; mataram um motorista de autocarro. O que mais nos preocupa neste momento é a segurança, a vida de cada pessoa", disse Justiniano, um eleitor de 33 anos.
"Os políticos nem sempre cumprem as suas promessas. Desta vez, temos de escolher bem o nosso presidente para que o Peru melhore".
Mais de 27 milhões de pessoas estão registadas para votar neste país sul-americano. Destas, cerca de 1,2 milhões votam a partir do estrangeiro, principalmente dos Estados Unidos e da Argentina.
O voto é obrigatório para os peruanos dos 18 aos 70 anos de idade. Se não o fizerem, podem ser multados em 32 dólares (27 euros).
Um candidato presidencial precisa de mais de 50% dos votos para ganhar. No entanto, a realização de uma segunda volta em junho está praticamente assegurada, dada a profunda divisão do eleitorado e o número de candidatos, o maior da história do país andino.
Os eleitores deverão também escolher os membros de um Congresso bicameral pela primeira vez em mais de 30 anos, na sequência das recentes reformas legislativas que concentram um poder significativo na nova câmara alta do parlamento.