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Ucrânia: Chernobyl pode enfrentar colapso 'catastrófico' após ataque com drone russo

Estrutura de proteção que envolve os restos de um reator danificado na extinta central nuclear de Chernobyl. Ucrânia, sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025.
Invólucro de proteção em torno dos restos de um reator danificado na central nuclear desativada de Chernobil, Ucrânia, sexta-feira, 14 fevereiro 2025 Direitos de autor  AP Photo/Efrem Lukatsky
Direitos de autor AP Photo/Efrem Lukatsky
De Evelyn Ann-Marie Dom com AFP
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O não reforço da estrutura de proteção em torno do complexo nuclear pode libertar poeiras altamente radioativas que não conhecem fronteiras, alertam especialistas.

Um eventual colapso do abrigo interno contra radiações na desativada central nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, pode provocar uma libertação de radioatividade para o ambiente, alertou a Greenpeace esta terça-feira, 14 de abril.

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O alerta surge a poucos dias do 40.º aniversário do desastre de Chernobyl, que continua a ser o pior acidente nuclear do mundo. Em 26 de abril de 1986, quando a Ucrânia fazia parte da União Soviética, um reator da central explodiu, contaminando uma vasta área da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia.

Após o desastre, foi erguida à pressa uma estrutura interna de aço e betão, conhecida como sarcófago, em torno do reator destruído para evitar novas fugas de radiação.

Anos mais tarde, em novembro de 2016, foi construída uma cúpula metálica de alta tecnologia, designada New Safe Confinement (NSC), a um custo de 1,5 mil milhões de euros, para reforçar a estrutura interior.

Porque estão especialistas preocupados com Chernobyl?

Kiev tem acusado repetidamente a Rússia de visar a central desde que Moscovo lançou a invasão em grande escala da Ucrânia, em 2022, incluindo no ano passado, quando um drone russo atingiu a estrutura exterior, em fevereiro.

Embora a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) não tivesse inicialmente sinalizado fugas de radiação, em dezembro confirmou que o impacto do drone degradou a estrutura de aço e que esta já não bloqueia a radiação.

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que uma inspeção «confirmou que a [estrutura de proteção] perdeu as suas principais funções de segurança, incluindo a capacidade de confinamento, mas também constatou que não havia danos permanentes nas estruturas portantes nem nos sistemas de monitorização.»

Grossi acrescentou que, embora tenham sido feitos alguns trabalhos de reparação, «a restauração completa continua essencial para evitar nova degradação e garantir a segurança nuclear a longo prazo».

Danos provocados por um ataque com drone russo na estrutura de proteção que envolve os restos de um reator da central nuclear de Chernobyl. Ucrânia, sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025
Danos provocados por um ataque com drone russo na estrutura de proteção que envolve os restos de um reator da central nuclear de Chernobyl. Ucrânia, sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025 AP Photo/Efrem Lukatsky

Chernobyl precisa de cerca de 500 milhões de euros em reparações

No mês passado, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noel Barrot, estimou que a cúpula necessita de quase 500 milhões de euros em reparações.

«Apresentámos esta noite a primeira estimativa financeira dos danos causados por este drone, que ascende a cerca de 500 milhões de euros», declarou Barrot após presidir a uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, em março.

A Greenpeace informou que, apesar de alguns esforços de reparação, o escudo de proteção ainda não foi totalmente restaurado. A organização alertou que isso aumenta o risco de libertação de radioatividade, sobretudo em caso de colapso da estrutura interna.

«Isso seria catastrófico porque há quatro toneladas de pó, pó altamente radioativo, pastilhas de combustível, enormes quantidades de radioatividade dentro do sarcófago», afirmou à agência noticiosa AFP, no início do mês, Shaun Burnie, principal especialista em energia nuclear da Greenpeace na Ucrânia.

«E como o New Safe Confinement não pode ser reparado neste momento, não pode funcionar como foi concebido, o que abre a possibilidade de libertações radioativas», acrescentou Burnie.

«Partículas radioativas não conhecem fronteiras»

A desmontagem dos elementos instáveis da estrutura interna é crucial para evitar um colapso descontrolado, salientou a Greenpeace, mas novos trabalhos no local têm sido impedidos pelos ataques contínuos da Rússia.

Para além do alerta da Greenpeace, o diretor da central, Sergiy Tarakanov, avisou igualmente que, se um míssil cair perto das instalações, a estrutura pode correr o risco de colapsar devido ao impacto.

«E, como o acidente de 1986 nos mostrou... as partículas radioativas não conhecem fronteiras», acrescentou Tarakanov.

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