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EUA: guerra pelos fósseis de Trump é oportunidade para acabar com dependência de petróleo e gás

Preços da gasolina normal e do gasóleo são exibidos num posto de combustível da BP, em Mundelein, Illinois, quarta-feira, 15 de abril de 2026
Preços da gasolina simples e do gasóleo assinalados numa bomba BP em Mundelein, Illinois, quarta-feira, 15 de abril de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Nam Y. Huh
Direitos de autor AP Photo/Nam Y. Huh
De Ruth Wright
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Especialistas apelam aos governos para reduzirem o risco de cada perturbação nos combustíveis fósseis se transformar num choque energético e económico global.

Líderes europeus podem reescrever a história em reuniões decisivas nas próximas semanas.

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Numa altura de fortes tensões geopolíticas, governos vão reunir-se para discutir como abandonar os combustíveis fósseis, origem do atual choque energético, e avançar para uma energia renovável abundante, fiável e de baixo custo.

A 21 de abril, reúnem-se primeiro, em Estrasburgo, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em Conselho. No dia seguinte, 40 países participam no 17.º Diálogo de Petersberg sobre o Clima. Logo a seguir, realiza-se em Santa Marta, na Colômbia, de 24 a 29 de abril, a Primeira Conferência Internacional sobre a Transição Justa para Abandonar os Combustíveis Fósseis.

Com os mercados de combustíveis fósseis em turbulência, escassez de energia à escala global e fenómenos meteorológicos extremos a custar vidas humanas, as apostas não podiam ser mais altas.

Muitos especialistas consideram que chegou o momento para um «reset climático».

«A guerra alimentada por combustíveis fósseis, liderada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, viola o direito internacional, prejudica civis inocentes e está a arrastar a região para um conflito mais alargado, ao mesmo tempo que agrava a crise do custo de vida em todo o mundo», afirma Tasneem Essop, da Climate Action Network.

«Os combustíveis fósseis desempenham um papel central nesta guerra... Este momento de fortes tensões geopolíticas e incerteza económica reforça que a transição para longe dos combustíveis fósseis não é apenas uma questão de política climática: é uma questão de estabilidade económica, segurança e bem-estar humano.»

Reinício da diplomacia climática

Embora muitos olhem para as conferências anuais da COP como palco da ação climática multilateral, os resultados dos encontros mais recentes deixaram desiludidos muitos que sentiram que não foram suficientemente longe face à escala das crises climática e da biodiversidade.

«A COP30 deixou muitos europeus frustrados, mas também sublinhou a necessidade de um reset na diplomacia climática», afirma Linda Kalcher, diretora executiva do grupo de reflexão Strategic Perspectives. «Num contexto geopolítico mais complexo, precisamos de uma estrutura mais eficaz, centrada na cooperação económica e em parcerias, que garanta que mais países beneficiam da transformação global para energias limpas, apoiada por instrumentos comerciais, financiamento climático e investimento estratégico.»

A Primeira Conferência Internacional sobre a Transição Justa para Abandonar os Combustíveis Fósseis, em Santa Marta, foi anunciada na COP30, em Belém, e contou com o apoio de muitos dos 85 países que defenderam um roteiro para sair da dependência dos combustíveis fósseis.

O objetivo da conferência é chegar a «soluções concretas» que possam ser afinadas em encontros posteriores, para que governos em todo o mundo as possam aplicar.

«A verdadeira questão para os governos não é apenas de que é que devem afastar-se, mas para que modelo devem fazer a transição. A resposta passa por sistemas energéticos eletrificados alimentados por energia renovável abundante e de baixo custo. É assim que reduzimos o risco de cada perturbação nos combustíveis fósseis se transformar num choque energético e económico global», afirma Bruce Douglas, da Global Renewables Alliance.

Trabalhar em conjunto para construir um futuro mais seguro com base na energia renovável

A conferência de Santa Marta é a maior das três, com a participação prevista de 50 países e de mais de 2 000 organizações e comunidades.

No encontro, uma «coligação de agentes» vai trabalhar para acelerar a concretização prática da transição, reunindo governos consumidores e produtores, setor privado, cientistas, sindicatos e sociedade civil.

Os resultados da conferência deverão dar o pontapé de saída para a implementação de planos nacionais de transição para longe dos combustíveis fósseis.

Jennifer Morgan, antiga secretária de Estado alemã e enviada especial para a ação climática internacional, apela aos governos para que deixem de lado as suas divergências e criem um futuro melhor para os seus cidadãos.

«Os governos enfrentam uma escolha: insistir num sistema assente na escassez ou trabalhar em conjunto para construir um futuro mais seguro, baseado na energia renovável. A coligação de agentes que se reúne em Santa Marta está pronta para acelerar esta mudança, adotando medidas concretas para criar um sistema energético e climático mais estável e resiliente, esse é o caminho mais seguro a seguir e o mais inteligente para as suas economias.»

Que resultados pode trazer a conferência de Santa Marta?

A conferência termina com um «resumo da presidência» que, segundo os organizadores, irá condensar os sinais políticos e as ações prioritárias a integrar na preparação da COP31.

Mas há quem considere que as declarações finais são menos importantes do que aquilo que acontece quando os governos têm oportunidade de se encontrar.

«O valor destes grandes encontros internacionais reside menos nos comunicados finais e mais no espaço e na dinâmica que geram, através da mobilização de atores, de discussões paralelas e de trocas informais à margem», sublinha Marta Torres Gunfaus, do grupo de reflexão Institute for Sustainable Development and International Relations.

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