"Enquanto dependermos do petróleo e do gás, continuaremos a pagar o preço das guerras dos outros", afirmou o primeiro-ministro francês, Sebastien Lecornu.
Com a guerra israelo-americana contra o Irão a mergulhar o mundo naquilo a que o chefe da Agência Internacional de Energia (AIE) chamou "a maior crise energética que alguma vez enfrentámos", os governos estão a lutar por soluções.
Felizmente, algumas das maiores economias da Europa estão cientes de que as energias renováveis são a forma mais fiável e mais barata de se proteger contra os choques energéticos e, ao mesmo tempo, atingir os objetivos de redução das emissões.
O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irão e os numerosos ataques às infraestruturas energéticas no Médio Oriente conduziram à "maior ameaça à segurança energética da história", segundo Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional da Energia (AIE).
A dependência de petróleo e gás importados já custou 24 mil milhões de euros à União Europeia, para além do que já estava planeado gastar. Sem as energias renováveis, esta fatura seria ainda mais elevada.
A energia solar poupou à Europa mais de 100 milhões de euros por dia desde o início da guerra, e as energias renováveis em geral são uma parte importante da manutenção das faturas de eletricidade baixas. Graças à entrada em funcionamento de mais energia renovável, os preços da eletricidade foram, em média, 24,2 por cento mais baixos entre 2023 e 2025 em 19 países.
Depois de recuperarem do choque inicial da guerra, os governos começaram a aconselhar os cidadãos e as empresas a pouparem energia sempre que possível. Aconselha-se a conduzir de forma eficiente em termos de combustível, a trabalhar a partir de casa e até a produzir a sua própria energia em casa.
Mas a transição para as energias limpas depende muito mais das políticas governamentais do que das ações individuais.
Eis a forma como Espanha, França e Portugal responderam à crise dos combustíveis fósseis.
Espanha redobra os seus esforços no domínio das energias renováveis
Espanha tem sido amplamente celebrada pelo seu investimento em energias renováveis - e tem compensado em espadas durante a crise energética.
Entre 2019 e 2026, o país duplicou a sua capacidade de produção de energia solar, passando a ter 40 GW - mais do que qualquer outro país da UE, exceto a Alemanha, cujo mercado de energia é duas vezes maior do que o de Espanha. Esta previsão fez com que as faturas de eletricidade dos espanhóis se mantivessem entre as mais baixas da Europa, apesar da guerra contra o Irão ter perturbado gravemente o abastecimento de energia.
Desde o início da guerra contra o Irão, Espanha duplicou os seus esforços em matéria de energias renováveis. Num decreto real publicado a 20 de março, Espanha anunciou medidas para acelerar a eletrificação, a implantação das energias renováveis e o armazenamento. Estas medidas incluem a eliminação da burocracia, a melhoria das infraestruturas da rede para que as energias renováveis não sejam desperdiçadas, a dificultação da construção de centros de dados que não sejam comprovadamente sustentáveis e a criação de mais comunidades energéticas.
França proíbe caldeiras a gás nos novos edifícios
França está a dar um impulso à eletrificação, prometendo 10 mil milhões de euros de apoio estatal para substituir o petróleo e o gás e os seus derivados por eletricidade, como noticiado pela Reuters.
As bombas de calor também fazem parte do plano, com a instalação de mais um milhão por ano, e as caldeiras a gás serão proibidas nos novos edifícios a partir de 2027.
"Atualmente, 60% do nosso consumo de energia provém destes combustíveis fósseis importados, embora a nossa energia produzida internamente seja três vezes mais barata", afirmou o primeiro-ministro Sebastien Lecornu ao anunciar as novas políticas. "Enquanto dependermos do petróleo e do gás, continuaremos a pagar o preço das guerras dos outros, que infelizmente continuarão e nos empobrecerão", acrescentou.
Portugal promete um limite de preços
O aumento das contas domésticas tem sido uma preocupação mundial desde que os ataques israelo-americanos ao Irão levaram ao encerramento do Estreito de Ormuz.
Segundo a Reuters, Portugal prometeu limitar temporariamente os preços da eletricidade, se necessário. O mecanismo de proteção dos consumidores será aplicado se os preços de retalho da eletricidade subirem mais de 70% ou excederem 2,5 vezes a média de cinco anos, ultrapassando 180 euros por megawatt-hora. O Governo cobrirá o custo inicial do apoio que "será recuperado mais tarde", segundo o ministro António Leitão Amaro.
Portugal é menos dependente do gás natural para a produção de eletricidade do que muitos países europeus e, nos primeiros dois meses do ano, cerca de 79% da eletricidade consumida em Portugal provinha de fontes renováveis, de acordo com dados oficiais.
Polónia atribui fundos às energias renováveis
"Durante a próxima década, o nosso país vai investir 1 bilião de zlotys em energia, infraestruturas, linhas de transmissão e centrais elétricas", anunciou o primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, durante a Cimeira de Energia PowerConnect, em Gdańsk, a 18 de março.
Deste montante, mais de 220 mil milhões de zlotys (51,8 mil milhões de euros) serão afetados às energias renováveis e ao armazenamento, 234 mil milhões de zlotys (55 mil milhões de euros) à distribuição e 160 mil milhões de zlotys (37 mil milhões de euros) à energia nuclear.
Em 2024, o carvão, o petróleo e o gás representarão 83% da energia da Polónia. Mas o país está a fazer esforços para melhorar a sua quota de energias renováveis, passando de 21% em 2022 para 28% em 2023, de acordo com a AIE.