Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Empresas de media apelam a Israel para permitir acesso a Gaza aos jornalistas estrangeiros

Camionista recolhe ajuda humanitária destinada a Gaza, enquanto os jornalistas visitam o lado palestiniano do posto fronteiriço de Kerem Shalom,19 de dezembro de 2024
Camionista recolhe ajuda humanitária destinada a Gaza, enquanto os jornalistas visitam o lado palestiniano do posto fronteiriço de Kerem Shalom,19 de dezembro de 2024 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Ana Filipa Palma com AP
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button
Copiar/colar o link embed do vídeo: Copy to clipboard Link copiado!

As principais empresas de comunicação social mundial, incluindo a Associated Press, estão a apelar ao governo de Israel para que levante a proibição que impede os jornalistas estrangeiros de entrarem e reportarem de forma independente a partir de Gaza.

Da The Associated Press (AP) e da BBC à CNN e à MS NOW, da Reuters à agência de notícias alemã dpa e ao The Washington Post, os principais editores de mais de duas dezenas de meios de comunicação social enviaram um apelo ao governo israelita para pôr fim à proibição da entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza para reportagem.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

"Estar no terreno é essencial. Permite aos jornalistas questionar as versões oficiais de todas as partes, falar diretamente com civis e relatar o que testemunham em primeira mão", afirma o comunicado dos dirigentes, divulgado na quinta-feira. "É por isso que as organizações noticiosas enviam os seus repórteres para o terreno, muitas vezes correndo grandes riscos pessoais".

Os dirigentes dos meios de comunicação afirmaram que o governo israelita ainda não respondeu aos seus esforços para discutir a situação e que questionaram as justificações do país para a manutenção das restrições, uma vez que "os combates mais intensos terminaram e existe um cessar-fogo em vigor", afirmava a declaração dos editores.

"Os reféns regressaram a casa. Os jornalistas não representam uma ameaça para as tropas israelitas. Existe um mecanismo em vigor — por mais restritivo que seja — que permite aos trabalhadores humanitários entrar e sair do território. Por que não aos jornalistas?", continuaram.

Israel tinha afirmado que a proibição era necessária

Inicialmente, Israel afirmou que a proibição era necessária porque os jornalistas estrangeiros autorizados a entrar em Gaza poderiam revelar as posições dos soldados israelitas e colocá-los em perigo.

Outras justificações incluíam o facto de, sendo uma zona de combate ativa, era demasiado perigosa.

O exército israelita tem, ocasionalmente, levado repórteres estrangeiros em visitas altamente controladas, mas os órgãos de comunicação social querem acesso independente.

Com os jornalistas estrangeiros impedidos de entrar em Gaza, a cobertura das condições no terreno só tem sido possível para jornalistas palestinianos locais. Embora a cobertura de uma guerra seja difícil para qualquer repórter, os correspondentes palestinianos também tiveram de a viver a nível pessoal, uma vez que viram as suas casas destruídas e muitos familiares serem mortos.

Repórteres baseados em Gaza enfrentam riscos

Quando no ano passado o acesso a alimentos ficou severamente restringido, também os jornalistas tiveram de lidar com a fome, ao ponto de a agência noticiosa Agence France-Presse ter dado o alarme, em julho, sobre a sobrevivência dos seus colegas palestinianos.

Os editores levantaram também essa questão na declaração de quinta-feira, afirmando que "isto fez com que a responsabilidade pela cobertura desta guerra devastadora e das suas consequências recaísse quase inteiramente sobre os nossos colegas palestinianos... Eles não deveriam ter de arcar sozinhos com este fardo e devem ser protegidos".

Mais de 200 jornalistas e profissionais da comunicação social foram mortos, de acordo com um recenseamento da organização Comité para a Proteção dos Jornalistas, um número muito superior ao registado em conflitos noutros locais, como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

Entre eles estava Mariam Dagga, uma jornalista visual de 33 anos que trabalhava como freelancer para a AP e outras organizações noticiosas. Ela e outros quatro jornalistas, incluindo o operador de câmara da Reuters Hussam al-Masri e Moaz Abu Taha, um jornalista freelancer que trabalhava com a Reuters, estavam entre os mortos em agosto passado num ataque israelita a uma instalação médica.

A reportagem da AP sobre o ataque levantou questões sobre a justificação utilizada pelo governo israelita para levar a cabo a ação contra o hospital, que era conhecido como um local onde os jornalistas se reuniam.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Ataques israelitas matam 11 pessoas, incluindo três jornalistas e duas crianças

Organizações de jornalistas apresentam queixa por "obstrução" ao trabalho dos repórteres em Gaza

Sindicato dos Jornalistas da AFP: fome ameaça os últimos jornalistas em Gaza