O presidente dos EUA anunciou, sábado, na sua plataforma Truth Social, que um acordo com Teerão para pôr fim à guerra com o Irão está largamente negociado, sujeito a aprovação, afastando a hipótese de retomar ataques e de um conflito mais alargado na região.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou este sábado que um projeto de acordo-quadro com o Irão, que prevê a reabertura do estreito de Ormuz, está “em grande medida negociado” e continua “dependente de uma aprovação final”.
Numa publicação na rede social Truth Social, Trump adiantou que os últimos aspetos e detalhes do acordo estão a ser discutidos e serão anunciados “em breve”.
“Para além de muitos outros elementos do acordo, o Estreito de Ormuz será aberto”, declarou o presidente norte-americano.
Trump afirmou que teve “uma conversa telefónica muito boa” com os líderes da Arábia Saudita, do Qatar, dos Emirados Árabes Unidos, do Paquistão, da Turquia, do Egito, da Jordânia e do Bahrein, num novo sinal da influência determinante dos países do Golfo e de outros atores regionais para convencerem Trump a travar novos ataques e a pôr fim à guerra. O Presidente referiu ainda uma chamada em separado com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que “correu muito bem”.
Mais cedo, este sábado, a agência Associated Press citou um responsável regional com conhecimento direto dos esforços de mediação liderados pelo Paquistão, segundo o qual os Estados Unidos e o Irão se aproximavam de um acordo que incluiria uma declaração oficial do fim da guerra e um período de negociações de dois meses sobre o programa nuclear iraniano.
O Estreito de Ormuz seria reaberto e os EUA poriam termo ao bloqueio dos portos iranianos, disse a mesma fonte à AP.
Antes do anúncio de Trump, o Irão já tinha sinalizado um “aproximar de posições” nas negociações, à medida que as posições se foram aproximando nos últimos dias, sobretudo depois de o chefe do Exército paquistanês manter novas conversações em Teerão, na sexta-feira e no sábado.
A televisão estatal iraniana citou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmail Baghaei, que descreveu o projeto como um “acordo-quadro”.
“Queremos que este documento inclua as principais questões necessárias para pôr fim à guerra imposta e outros temas de importância essencial para nós. Depois, num período considerado razoável, entre 30 e 60 dias, discutem-se os detalhes e, em última análise, chega-se a um acordo final”, afirmou Baghaei, citado pela agência noticiosa oficial iraniana, a IRNA.
Segundo Baghaei, “ao longo da última semana, a tendência tem sido para reduzir as divergências”.
Acrescentou que as questões nucleares não fazem parte das negociações em curso, uma vez que Teerão procura primeiro pôr termo à guerra antes de discutir o seu programa nuclear.
“Nesta fase, o nosso foco é acabar com a guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano”, afirmou Baghaei, acrescentando que o levantamento das sanções contra Teerão “foi explicitamente incluído no texto e continua a ser a nossa posição firme”.
Trump já tinha dito que estava a adiar um ataque militar contra o Irão porque decorriam “negociações sérias” e a pedido de aliados no Médio Oriente. O presidente norte-americano estabeleceu por várias vezes prazos para Teerão e acabou depois por recuar.
A guerra começou a 28 de fevereiro com ataques norte-americanos e israelitas contra o Irão, que interromperam as conversações nucleares com Teerão. Em resposta, Teerão fechou na prática o estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o petróleo, o gás natural e os fertilizantes da região, provocando fortes pressões económicas à escala global.
Os EUA impuseram depois um bloqueio aos portos iranianos. O Comando Central norte-americano informou este sábado que, desde o início do bloqueio, a 13 de abril, as forças dos EUA afastaram mais de uma centena de navios comerciais e imobilizaram quatro.