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Estados Unidos: Trump pede imunidade judicial para Delcy Rodríguez em ação cível na Flórida

Delcy Rodríguez, durante uma conferência de imprensa
Delcy Rodríguez durante uma intervenção Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Cristian Caraballo
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A administração Trump instruiu o Departamento de Justiça para pedir a suspensão da ação cível contra a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, por entender que, como chefe de Estado em funções reconhecida por Washington, goza de imunidade perante a justiça dos EUA

A Administração Trump pediu ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos que garantisse a imunidade judicial da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, na ação cível que enfrenta num tribunal federal na Flórida.

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O pedido foi feito pelo conselheiro jurídico do Departamento de Estado, Reed Rubinstein, numa carta enviada a 11 de julho ao procurador-geral adjunto, Brett Shumate.

No documento, o Departamento de Estado recorda que, desde 5 de março, reconhece oficialmente Rodríguez como chefe de Estado da Venezuela, depois de esta ter assumido interinamente a presidência na sequência da captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas em 3 de janeiro.

"Em consequência, o Departamento de Estado solicita que o Departamento de Justiça apresente, com a maior brevidade, ao tribunal distrital uma sugestão de imunidade, informando-o do acima exposto o mais rapidamente possível", lê-se na comunicação. Rodríguez é alvo de uma ação no Tribunal do Distrito Sul da Flórida, em Miami, por alegados raptos, torturas e atos de terrorismo relacionados com o chavismo.

Em 15 de julho, o juiz responsável pelo caso fixou uma indemnização de 314 milhões de dólares (275 milhões de euros), mas excluiu Delcy Rodríguez da sentença. A decisão abrangeu, no entanto, Nicolás Maduro e outros altos responsáveis ligados ao regime.

Carta de sugestão de imunidade para Delcy Rodríguez
Carta de sugestão de imunidade para Delcy Rodríguez US DOJ

Na carta, a Administração Trump sublinhou "a especial importância" que tem para os Estados Unidos que a ação contra Rodríguez seja arquivada, devido às "significativas implicações de política externa" subjacentes à manutenção do processo judicial. O documento também revela que a Embaixada da Venezuela nos Estados Unidos pediu ao Departamento de Estado que certificasse a imunidade de Rodríguez.

"A presidente Rodríguez, na qualidade de chefe de Estado em funções de um Estado estrangeiro, goza de imunidade face à jurisdição do Tribunal de Distrito dos Estados Unidos enquanto se mantiver no cargo", sustenta a Casa Branca.

Que consequência tem esta decisão?

O efeito prático desta decisão é o Departamento de Justiça pedir ao juiz que arquive todas as queixas contra Rodríguez sem prejuízo, o que significa que poderão ser reabertas assim que deixe a presidência da Venezuela. Na prática, a medida adia o processo sem fechar definitivamente a porta a futuras ações judiciais.

O reconhecimento da imunidade não equivale a uma absolvição nem extingue eventuais responsabilidades futuras. Também não afeta outras investigações que possam estar em curso. O único efeito é impedir que um tribunal norte-americano exerça jurisdição sobre a presidente enquanto se mantiver em funções.

A imunidade pessoal só vigora durante o exercício do mandato e apenas em relação ao exercício da jurisdição. Uma vez abandonada a Presidência, as ações judiciais poderão ser retomadas, sobretudo no que respeita a atos de carácter privado ou quando essa imunidade deixar de produzir efeitos.

Desde a captura de Maduro, o governo de Donald Trump tem reforçado as relações com a administração interina liderada por Delcy Rodríguez, que anteriormente desempenhou funções como vice-presidente do ex-líder venezuelano. Entretanto, a líder da oposição María Corina Machado mantém a intenção de regressar à Venezuela para promover uma transição democrática no país.

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