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Rússia testa mísseis em ilhas disputadas e motiva protesto do Japão

ARQUIVO: Mísseis superfície-superfície e armas anti-submarinas a bordo do cruzador de mísseis russo Varyag durante escala em São Francisco, 21 junho 2010.
Mísseis superfície-superfície e armas anti-submarinas vistos no cruzador de mísseis russo Varyag durante a sua visita a São Francisco, 21 junho 2010. Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Aleksandar Brezar
Publicado a Últimas notícias
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A Frota do Pacífico realizou um teste de mísseis Bastion poucos dias depois da visita de Putin às ilhas, que levou Tóquio a convocar o embaixador russo e motivou uma declaração dos EUA em apoio à soberania japonesa.

O Japão apresentou na sexta-feira um protesto contra a decisão de Moscovo de realizar testes de mísseis ao largo de ilhas em disputa visitadas pelo presidente Vladimir Putin no início do mês, numa altura em que as tensões entre os dois países continuam a agravar-se.

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“Apresentámos um protesto em resposta à notificação sobre o plano para realizar um teste de mísseis” ao largo das ilhas, afirmou um porta-voz do governo japonês.

A agência noticiosa japonesa Kyodo citou a Frota do Pacífico da Rússia, que afirmou já ter realizado o teste de mísseis, embora não fosse claro quando teve lugar.

Segundo a Kyodo, uma unidade equipada com o sistema de mísseis antinavio Bastion efetuou o teste a partir da maior ilha do arquipélago, Etorofu.

O navio-almirante da Frota do Pacífico russa, o cruzador de mísseis guiados Varyag, também participou no teste, tal como o submarino de propulsão nuclear Omsk, adiantou ainda a agência.

O exercício simulou um ataque a navios inimigos e atingiu todos os alvos previstos a uma distância de pelo menos 300 quilómetros, acrescentou a frota, citada pela Kyodo.

“Consideramos que o reforço militar da Rússia nos Territórios do Norte, incluindo estes exercícios com mísseis, contraria a posição do Japão sobre os Territórios do Norte e é inaceitável”, declarou na quinta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, Toshimitsu Motegi, aos jornalistas, durante uma visita a Omã.

“Não podemos tolerar iniciativas por parte da Rússia para reforçar o poder militar nas quatro ilhas setentrionais, porque vão contra a posição do nosso país em relação a esses territórios”, acrescentou Motegi.

Acrescentou ainda que Tóquio responderá em tempo útil, após considerar de forma abrangente o que melhor serve os interesses nacionais do Japão, segundo a cadeia pública japonesa HNK.

Relações continuam a deteriorar-se

O governo japonês sustenta que as quatro ilhas e grupos de ilhéus que compõem os Territórios do Norte (Etorofu, Kunashiri, Shikotan e Habomai) fazem parte do seu território, ocupado ilegalmente pelos soviéticos e que a Rússia continua a ocupar desde a dissolução da União Soviética, em 1991.

Putin efetuou a primeira visita oficial às ilhas em 13 de agosto, o que levou o Japão a convocar o embaixador russo.

Putin deslocou-se às ilhas depois de visitar a vizinha ilha de Sacalina, onde a Marinha russa tem realizado exercícios, e o navio-almirante Varyag.

ARQUIVO: O presidente russo, Vladimir Putin, observa um exercício militar a partir da ponte do cruzador de mísseis Varyag, da Frota do Pacífico, ao largo da ilha de Sacalina, em 12 de agosto de 2026
ARQUIVO: O presidente russo, Vladimir Putin, observa um exercício militar a partir da ponte do cruzador de mísseis Varyag, da Frota do Pacífico, ao largo da ilha de Sacalina, em 12 de agosto de 2026 AP Photo

Após a passagem de Putin, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que as ilhas “são parte inerente do território do Japão, tanto do ponto de vista histórico como ao abrigo do direito internacional”.

A visita de Putin “fere os sentimentos do povo japonês e é absolutamente inaceitável”, acrescentou.

As relações entre o Japão e a Rússia têm-se deteriorado desde que Moscovo lançou a invasão em larga escala da Ucrânia, no início de 2022, altura em que Tóquio se juntou aos restantes países do G7 para sancionar Moscovo e apoiar Kiev.

Analistas consideram que a visita de Putin às Curilas poderá ter tido como objetivo alertar o Japão para não aprofundar o apoio à Ucrânia, incluindo, eventualmente, o fornecimento direto de mísseis Patriot, e para não estreitar a cooperação com a NATO.

Atualmente, o Japão fornece à Ucrânia apenas ajuda de defesa não letal.

Embora o Japão tenha aliviado, nos últimos anos, as restrições às exportações de defesa, continua proibido de fornecer diretamente equipamento militar letal a um país em guerra.

Kremlin intensifica demonstrações de força

Moscovo reforçou a presença militar nas ilhas tão recentemente como em dezembro de 2021, quando destacou sistemas de mísseis costeiros Bastion para uma ilha vulcânica desabitada no meio do arquipélago.

A ilha acolheu uma base do exército japonês antes da ocupação soviética. A base soviética ali instalada foi encerrada devido à falta de financiamento após o colapso da União Soviética.

Moscovo já tinha instalado sistemas de mísseis Bal e Bastion em duas das quatro ilhas mais a sul, em 2016.

Nos anos seguintes, a Rússia reforçou ainda mais o arsenal nas ilhas, ao enviar sistemas avançados de defesa antiaérea, estabelecer uma base aérea na ilha de Etorofu e deslocar caças.

As ilhas, pouco habitadas, têm grande importância estratégica para o Kremlin, por se situarem à entrada do mar de Okhotsk e permitirem à Frota do Pacífico russa aceder ao Pacífico aberto sem passar por águas controladas pelo Japão.

A visita de Putin foi a primeira deslocação de um presidente russo às ilhas desde Dmitri Medvedev, em 2010.

Outras fontes • AFP

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