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Moeve arranca em Huelva construção do maior projeto de hidrogénio verde da Europa

Construção da primeira fase do Vale Andaluz do Hidrogénio Verde, da Moeve, em Palos de la Frontera, Huelva
Construção da primeira fase do Vale Andaluz de Hidrogénio Verde pela Moeve, em Palos de la Frontera, Huelva. Direitos de autor  Moeve
Direitos de autor Moeve
De Maria Muñoz Morillo & Christina Thykjaer & Rafael Salido
Publicado a Últimas notícias
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Primeira fase do Vale Andaluz do Hidrogénio Verde integra 300 MW de eletrólise e envolve investimento superior a mil milhões de euros; Moeve prevê gerar mais de 8 000 empregos.

Moeve iniciou em Palos de la Frontera, Huelva a construção da primeira fase do Vale Andaluz do Hidrogénio Verde, um projeto que a empresa apresenta como o maior do género na Europa e que pretende colocar Espanha numa posição central no desenvolvimento desta nova indústria energética.

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A primeira fase, denominada “Onuba”, terá inicialmente 300 MW de capacidade de eletrólise, com possibilidade de acrescentar mais 105 MW, e representará um investimento conjunto de mais de 1.000 milhões de euros, incluindo a infraestrutura associada e uma central fotovoltaica destinada ao autoconsumo.

Durante as fases de desenvolvimento, construção e arranque, a Moeve estima que o projeto criará mais de 8.000 empregos diretos, indiretos e induzidos ao longo de toda a cadeia de valor e contribuirá para a atividade de mais de 400 pequenas e médias empresas e trabalhadores independentes locais.

“Mais uma vez, estamos a transformar a ambição numa realidade tangível”, afirmou o diretor executivo da Moeve, Maarten Wetselaar, citado em comunicado. “Hoje viramos a página dos projetos‑piloto de hidrogénio verde para entrar no capítulo da construção em grande escala.”

Em declarações à “Euronews”, Wetselaar defendeu que “Onuba” pode ajudar a reforçar o papel de Espanha na transição energética europeia e a reduzir a dependência externa. “Precisamos de energia europeia descarbonizada e produzida por nós, e é exatamente isso que este projeto permite”, explicou.

“Espanha tem abundante energia solar, muito boa energia eólica e espaço para construir grandes parques renováveis”
Maarten Wetselaar
Diretor executivo da Moeve

A empresa prevê que a instalação possa produzir cerca de 45.000 toneladas de hidrogénio renovável por ano, evitando cerca de 250.000 toneladas anuais de emissões de CO₂. O hidrogénio será utilizado para apoiar uma produção mais sustentável de combustíveis para o transporte rodoviário, aéreo e marítimo, além de contribuir para a descarbonização de outras indústrias.

Espanha: Sánchez assinala arranque da construção da central

O início das obras foi assinalado esta quinta‑feira em Palos de la Frontera, numa cerimónia que reuniu representantes do Governo espanhol, da Comissão Europeia, da Junta de Andaluzia e dos municípios de Palos de la Frontera e Huelva, além de responsáveis das empresas envolvidas no projeto.

Entre os presentes estiveram o presidente do Governo, Pedro Sánchez, o presidente da Junta de Andaluzia, Juanma Moreno, a terceira vice‑presidente e ministra da Transição Ecológica, Sara Aagesen, e a vice‑presidente executiva da Comissão Europeia para uma Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera.

O chefe do Governo saudou aquilo a que chamou uma “oportunidade industrial enorme” que, além de criar emprego, demonstra que “a transição energética já está a mobilizar investimento”, tanto público como privado.

“Durante décadas, Espanha e a Europa dependeram em excesso da energia que chegava de outros lugares. Ainda o fazemos. Infelizmente, cada crise internacional nos recorda o enorme preço que estamos a pagar por essa dependência”, afirmou durante o evento. “Não podemos deixar o nosso abastecimento à mercê de guerras injustificadas, de tensões alheias, de interesses geopolíticos legítimos de outras potências, mas que não são os nossos, nem, obviamente, pagar os danos causados por quem transforma a energia em mais uma peça nos seus jogos de poder.”

O presidente Pedro Sánchez na central do Vale Andaluz do Hidrogénio Verde, da Moeve, em Palos de la Frontera, Huelva.
O presidente Pedro Sánchez na central do Vale Andaluz do Hidrogénio Verde, da Moeve, em Palos de la Frontera, Huelva. Moeve

Espanha no centro da produção

Para a Moeve, as condições de Espanha, em especial da Andaluzia, oferecem uma vantagem para o desenvolvimento do hidrogénio verde. A empresa destaca a disponibilidade de energia solar e eólica, o terreno para grandes instalações renováveis e condições que permitem produzir eletricidade renovável a custos competitivos.

“Espanha tem abundante energia solar, muito boa energia eólica e espaço para construir grandes parques renováveis”, afirmou Wetselaar. Na sua opinião, dado que a eletricidade renovável representa uma parte importante do custo de produção do hidrogénio verde, a disponibilidade de recursos renováveis pode tornar o país num dos principais produtores europeus.

O projeto “Onuba” é liderado pela Moeve, que controla 51 % da iniciativa. A Hy24 e a Cofides participam em conjunto com 29 %, enquanto a Enagás Renovable e a Alter Enersun detêm os 20 % restantes.

O projeto foi reconhecido pela União Europeia como Projeto de Interesse Comum e obteve 304 milhões de euros de financiamento do Governo espanhol através do Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência, financiado pela União Europeia através do programa NextGenerationEU.

Renderização da central do Vale Andaluz do Hidrogénio Verde, da Moeve, em Palos de la Frontera, Huelva.
Renderização da central do Vale Andaluz do Hidrogénio Verde, da Moeve, em Palos de la Frontera, Huelva. Moeve

Espanha: projeto de 2 GW

“Onuba” constitui a primeira fase do Vale Andaluz do Hidrogénio Verde, que a Moeve prevê desenvolver até atingir 2 GW de capacidade total de eletrólise nos seus parques energéticos de Palos de la Frontera e San Roque, em Cádis.

A empresa pretende ainda ligar a produção de Huelva a outros centros industriais europeus através de soluções de transporte por conduta ou por via marítima. “Queremos escalar esta central e ligar Huelva a outros centros industriais da Europa”, explicou Wetselaar.

O desenvolvimento do hidrogénio insere-se numa transformação mais ampla das instalações da Moeve na Andaluzia. A empresa prevê investir um total de 2.400 milhões de euros em projetos de transição energética na região, entre os quais “Onuba” e uma central de biocombustíveis de segunda geração que produzirá combustível sustentável de aviação e gasóleo renovável.

Para Wetselaar, a implementação destes projetos pode ter efeitos que vão além da produção de energia. “Se Espanha aumentar a escala, estamos a falar de milhares de empregos, de um impacto significativo no PIB e, naturalmente, de relevância política”, afirmou. Na sua opinião, a capacidade de produzir e exportar energia renovável poderá alterar a relação energética de Espanha com o resto da Europa.

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