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Europa tenta combater défice de matérias-primas críticas para assegurar transição ecológica

Em parceria com The European Commission
Europa tenta combater défice de matérias-primas críticas para assegurar transição ecológica
Direitos de autor euronews
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De  Andrea Bolitho
Publicado a Últimas notícias
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A Europa está a tentar combater o défice de matérias-primas críticas para assegurar a transição energética.

As matérias-primas críticas, incluindo o lítio e as terras raras, serão provavelmente, em breve, mais importantes do que o petróleo e o gás, uma vez que a Europa ambiciona um futuro sem carbono.

As cadeias de abastecimento de terras raras fazem parte da ambição da política industrial da União Europeia para a transição para tecnologias mais ecológicas.

Neste momento, quase todos os ímanes permanentes sinterizados de terras raras, que são necessários para as baterias dos veículos elétricos, são quase todos fabricados na China.

Atualmente, a Europa está totalmente dependente das importações de lítio.

O que são terras raras e porque são elas parte integrante de tantas tecnologias?

A Euronews foi até à pequena cidade costeira de Sillamäe, na Estónia, localidade que alberga a única instalação comercial de separação de terras raras da União Europeia.

Vasileios Tsianos, diretor de Desenvolvimento Corporativo na empresa Neo Performance Materials explicou para que servem as terras raras.

"As terras raras são as matérias-primas críticas necessárias para a transição da União Europeia para as tecnologias verdes. No caso do neodímio e praseodímio, dois elementos de terras raras que processamos em Silmet, são utilizados para fazer ímanes permanentes sinterizados de terras raras, que são economizadores de energia e utilizados nas baterias dos veículos eléctricos, economizando em alguns casos mais de 20% do tamanho da bateria necessária para veículos eléctricos", explicou.

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Vasileios Tsianos, empresa Neo Performance Materials.Euronews

Existem 17 elementos de terras raras,que têm centenas de utilizações, desde sistemas de lançamento de mísseis a notas de dinheiro, embora a principal utilização seja fazer ímanes ultra poderosos.

"Este é o metal nióbio, que é inserido na câmara de electrões. Esta câmara funciona a cerca de 30 mil volts. Estes  electrões derretem o metal e este goteja muito, tal como a água, e nós purificamo-lo até à pureza mais elevada de nióbio e tântalo, produzido fora da China, que é importante para motores a jato ou foguetões espaciais e outras aplicações", disse ainda.

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Elementos raros.Euronews

China fornece à Europa 66% de todas as matérias-primas críticas

A Europa está consciente da necessidade de novas minas, bem como do reforço de toda a cadeira de valor das matérias-primas.

Neste momento, está dependente de um pequeno número de países terceiros, em particular, da China, que fornece 66% de todas as matérias-primas críticas e 98% das terras raras.

Para abordar esta questão, a UE irá apresentar uma proposta de lei de matérias-primas críticas, alavancando o poder do mercado único, para assegurar que a Europa tenha um fornecimento diversificado e fiável destes materiais, garantindo ao mesmo tempo elevados padrões sociais e ambientais.

Por exemplo, a empresa Neo Performance Materials é membro da Iniciativa de Minerais Responsáveis.

Julia Ignatova, diretora de vendas de metais raros, na Neo Performance Materials, salientou que a origem dos materiais, bem como as condições de trabalho são importantes.

"Concentramo-nos na origem do material, depois na forma como a fábrica funciona. Se eles pagam impostos, se se preocupam com os direitos humanos porque este é o aspeto mais importante em todas as instalações", referiu, em entrevista.

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Julia Ignatova, empresa Neo Performance MaterialsEuronews

Europa dependente de outros países para importar lítio e terras raras

Quando se trata de lítio, bem como de terras raras, a Europa está dependente de outros países, nomeadamente, a Austrália, a China e a América do Sul. Este é um componente essencial nas baterias dos veículos elétricos.

Empresa francesa Imerys quer explorar depósitos de lítio

A empresa francesa Imerys quer explorar os depósitos de lítio encontrados na sua mina de caulino em Beauvoir, no centro da França.

"Com as necessidades de lítio a aumentar, na Europa, dez vezes até 2030, é necessário o desenvolvimento de cada vez mais projetos locais para reduzir esta dependência. Como tal, é essencial obter e desenvolver projetos de extracção de lítio em França e na Europa. O objetivo do projeto em Bauvoir é fornecer 34 mil toneladas de hidróxido de lítio por ano, o que equivale à necessidade de cerca de 700 mil veículos por ano”, disse Alan Parte, Vice-Presidente de projetos de Lítio, na empresa Imerys.

A aposta na reciclagem também é uma prioridade para esta empresa: "Outro componente chave da proposta de lei das matérias-primas críticas é investir e apoiar a reciclagem inovadora. Claro que, quanto mais matérias-primas puderem ser recicladas, menos necessidade existirá de haver extração".

De volta à Estónia, em Narva, a empresa Neo Performance Materials planeia juntar parte da cadeia de fornecimento de terras raras à construção da primeira instalação de fabrico de ímanes e centro de pesquisa e desenvolvimento da Europa, que utilizará os óxidos magnéticos separados de terras raras, produzidos em Sillamäe.

Situada perto da fronteira russa, a fábrica ajudará a própria cidade a afastar-se da indústria local de xisto betuminoso, ultrapassando a era dos combustíveis fósseis.

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