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França: governador do banco central demite-se e deixa sucessão nas mãos de Macron

ARQUIVO. Governador do Banco de França, François Villeroy de Galhau, numa reunião do G7 no Japão, maio de 2023.
ARQUIVO. Governador do Banco de França François Villeroy de Galhau numa reunião do G7, no Japão, em maio de 2023. Direitos de autor  AP/Kimimasa Mayama
Direitos de autor AP/Kimimasa Mayama
De Quirino Mealha
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François Villeroy de Galhau anunciou inesperadamente a saída antecipada de governador do Banco de França. Analistas veem a decisão como forma de proteger a futura liderança da instituição.

O governador do banco central francês apresentou a demissão na segunda-feira, com efeitos a partir de junho de 2026.

A saída inesperada ocorre cerca de 18 meses antes da data prevista para o fim do segundo mandato, em outubro de 2027.

A decisão transfere, de forma estratégica, a responsabilidade de escolher o sucessor para o atual Presidente de França, Emmanuel Macron.

Se Villeroy de Galhau tivesse cumprido até ao fim o mandato, caberia ao vencedor da eleição presidencial de abril de 2027 nomear o próximo responsável pelo Banco de França, escrutínio que as sondagens atuais indicam poder favorecer um candidato de extrema-direita.

Embora o governador do banco central francês invoque razões pessoais para a saída, em particular a vontade de dirigir a Fondation Apprentis d'Auteuil, uma instituição de apoio a jovens em situação vulnerável, o calendário é visto como uma tentativa calculada de proteger a futura liderança da instituição.

Num comunicado, Villeroy de Galhau assegurou que «pouco mais de um ano antes do termo do meu segundo mandato, parece-me que terei cumprido o essencial da minha missão».

Num outro texto dirigido aos funcionários do Banco de França, o governador reconheceu ainda que «esta decisão pode ser uma surpresa».

França: demissão após estabilização

Villeroy de Galhau poderá também ter escolhido com cuidado um momento de relativa estabilização para anunciar a saída.

Depois de um longo e intenso impasse parlamentar em França, que levou à queda de vários governos, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu conseguiu fazer aprovar o Orçamento do Estado para 2026, apresentado no início do mês.

Ao longo do final de 2025, a incapacidade de França de aprovar um orçamento alarmou os investidores, fazendo disparar o prémio de risco da dívida francesa para os níveis mais altos dos últimos anos.

Ao esperar pela conclusão deste orçamento, Villeroy de Galhau garantiu que a sua saída não desencadeava novo pânico nos mercados nem agravava a crise política em curso.

O Presidente Emmanuel Macron pode agora concentrar-se na escolha de um sucessor provavelmente alinhado com a sua visão económica centrista e pró-europeia.

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