Kathy Ruemmler vai demitir-se neste verão, após a divulgação de emails revelar a sua estreita ligação ao agressor sexual Jeffrey Epstein, a quem chamava «Tio Jeffrey»
Kathy Ruemmler, advogada-chefe do banco de investimento Goldman Sachs e antiga conselheira jurídica da Casa Branca do presidente Barack Obama, anunciou a demissão esta quinta-feira.
A decisão surgiu depois de o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter divulgado uma série de mensagens de correio eletrónico que revelam a relação próxima que mantinha com o já falecido agressor sexual condenado Jeffrey Epstein. Ruemmler descreveu Epstein como um «irmão mais velho» e um tio, minimizando ao mesmo tempo os crimes sexuais pelos quais tinha sido condenado.
Num comunicado, Ruemmler afirmou que deixará os cargos de diretora jurídica e consultora-geral do Goldman Sachs em 30 de junho de 2026.
Até ao anúncio da demissão, Ruemmler procurou repetidamente distanciar-se desses emails e de outra correspondência e tinha assegurado que não deixaria o principal cargo jurídico do Goldman, que ocupava desde 2020.
Embora em declarações recentes Ruemmler tenha classificado Epstein como um «monstro», a relação entre ambos era bem diferente antes de ele ser detido pela segunda vez por crimes sexuais, em 2019, e de se suicidar mais tarde numa prisão de Manhattan.
Ruemmler disse no passado que adorava Epstein, embora num comunicado anterior à demissão um porta-voz do Goldman Sachs tenha afirmado que ela «lamenta alguma vez o ter conhecido».
No comunicado de quinta-feira, Ruemmler afirmou: «Desde que entrei para o Goldman Sachs, há seis anos, foi um privilégio ajudar a supervisionar as questões jurídicas, de reputação e regulamentares da instituição, reforçar os nossos sólidos processos de gestão de risco e garantir que vivemos de acordo com o nosso valor central de integridade em tudo o que fazemos. A minha responsabilidade é colocar, em primeiro lugar, os interesses do Goldman Sachs.»
Num comunicado separado, o presidente executivo do Goldman, David Solomon, declarou: «Enquanto uma das profissionais mais experientes na sua área, a Kathy foi também mentora e amiga de muitos dos nossos colaboradores e fará falta. Aceitei a sua demissão e respeito a sua decisão.»
Durante o período em que exerceu advocacia privada, depois de sair da Casa Branca em 2014, Ruemmler recebeu vários presentes caros de Epstein, incluindo malas de luxo e um casaco de peles. As ofertas ocorreram depois de Epstein já ter sido condenado por crimes sexuais, em 2008, e de estar registado como agressor sexual.
«Tão querido e atencioso! Obrigada, tio Jeffrey!!!», escreveu Ruemmler a Epstein em 2018.
Historicamente, Wall Street vê com maus olhos a troca de presentes entre clientes e banqueiros ou advogados de Wall Street, sobretudo ofertas de alto valor que possam criar conflitos de interesses. De acordo com o código de conduta da empresa, o Goldman Sachs exige que os seus colaboradores obtenham aprovação prévia antes de receberem ou oferecerem presentes de clientes, em parte para não infringirem as leis anticorrupção.
Já em dezembro, o presidente executivo do Goldman, David Solomon, descrevia Ruemmler como uma «excelente advogada» e garantia que tinha toda a sua confiança e apoio.