Porque pagaram 450 milhões por um quadro de Da Vinci?

Porque pagaram 450 milhões por um quadro de Da Vinci?
De  Francisco Marques

Especialista de arte em Paris recorre a Neymar e Messi para explicar à euronews novo valor recorde de uma obra de arte

O quadro “Salvador do Mundo”, de Leonardo da Vinci, pulverizou o recorde da obra de arte mais cara do mundo ao atingir, em leilão, a soma de 450 milhões de dólares (incluindo 50 milhões de comissões). Foram mais 80 milhões que o anterior máximo detido pelo quadro “Interchange”, do holandês Willem de Kooning.

O quadro do pintor italiano foi vendido pela Christie’s a um comprador não identificado, mas a verdade é poucas pessoas no mundo poderiam pagar tanto por uma obra de arte.


Wolfgang Spindler, da euronews, falou com Aude Fonlu, leiloeira de arte na Catawiki, em Paris, e perguntou: mas afinal o que é que se passa no mundo da arte?

“O que é preciso compreender é que, após alguns anos de estagnação, assiste-se atualmente ao surgimento de novos colecionadores. Surgem da Rússia e de certas economias emergentes como a Índia, o Brasil ou, claro, a China e, é simples, como há mais colecionadores, os preços sobem. Porque todos procuram a obra maior para a respetiva coleção ou para um futuro museu”, explicou-nos Aude Fonlu.

A verdade é que existem também certas fortunas inimagináveis para a maioria dos mortais, cujos donos se têm lançado como investidores neste mercado de prestígio. Quem não gostaria de ter um Da Vinci, um Picasso ou um a das expressões da imaginação de Dali?

Aude Fonlupt recorre a uma comparação bem popular para tentar explicar estes altos investimentos em obras de arte. “É preciso ter em consideração o contexto, salvaguardando as proporções. 450 milhões de dólares é efetivamente uma larga soma, mas quando pensamos numa equipa de futebol, pelo valor deste quadro do Da Vinci, temos o quê? Apenas dois jogadores. Dois muito bons. Temos Neymar, Messi e é tudo”, aponta a especialista de arte.


Fonlupt reconhece que “450 milhões é muito dinheiro, mas quando comparado com o mercado do futebol ou até com o mercado do imobiliário”, a leiloeira da Catawiki conclui que “afinal” este “não é (um investimento) assim tão louco…”

Desconhece-se o novo comprador recordista do mundo da arte, mas olhando às recentes e mais extravagantes notícias do setor, quem sabe a nova extensão do museu do Louvre em Abu Dhabi não seja o destino deste “Salvador do Mundo” de Da Vinci.

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