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Basílica em Veneza vai ser remodelada com 3,3 milhões de euros

A Basílica de São Marcos sofreu um golpe devastador em 2019.
A Basílica de São Marcos sofreu um golpe devastador em 2019. Direitos de autor Maximilian Zahn
Direitos de autor Maximilian Zahn
De  Rebecca Ann Hughes
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Basílica de São Marcos tem 900 anos, ao longo dos quais tem sido degradada pelas cheias

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No átrio da Basílica de São Marcos, em Veneza, as bases de mármore vermelho das antigas colunas estão desgastadas.

Outros suportes estão tão fragmentados que têm de ser segurados por cintas improvisadas.

Faltam pedaços do chão de pedra e os brilhantes mosaicos dourados das paredes estão a perder azulejos.

Estes são sinais de décadas de danos provocados pela água. 

Até há pouco tempo, a igreja com 900 anos de idade estava à mercê das marés. Agora, barreiras de vidro protetoras e um restauro no valor de 3,3 milhões de euros irão devolver-lhe a antiga glória.

A implacável água das cheias

Ameaçada pela subida das marés durante décadas, a Basílica de São Marcos sofreu um golpe devastador em 2019.

Em novembro desse ano, Veneza sofreu a segunda pior inundação - ou "acqua alta" - de que há registo, causando duas mortes e danos no valor de centenas de milhões de euros.

A frágil basílica bizantina foi inundada por água salgada e ficou irrevogavelmente danificada.

Procuratoria di San Marco
O átrio da igreja situa-se apenas 65 centímetros acima do nível do mar, o que faz dele o ponto mais baixo da cidadeProcuratoria di San Marco

A água salgada é particularmente prejudicial, uma vez que deixa cristais de sal nas pedras. Estes expandem-se, provocando fissuras e a queda de mosaicos das paredes.

As placas de mármore no átrio são particularmente vulneráveis, já que, durante os trabalhos de restauro no século XIX, foram removidas e coladas com cimento.

"Quando em contacto com a água e o cloro de sódio, este cimento cria resultados particularmente agressivos", diz o arquiteto chefe da basílica, Mario Piana.

Barreiras de vidro salvam a basílica das marés

Apesar da conclusão do projeto MOSE das barreiras amarelas insufláveis que se elevam e bloqueiam as marés altas, a Basílica de São Marcos continua em perigo.

O átrio da igreja situa-se apenas 65 centímetros acima do nível do mar, o que faz dela o ponto mais baixo da cidade.

As barreiras MOSE só são levantadas quando se prevê uma maré alta de 110 centímetros ou mais, pelo que, até há pouco tempo, a basílica continuava a ser inundada regularmente - e cada vez mais, devido aos efeitos das alterações climáticas e da subida do nível do mar.

Procuratoria di San Marco
No átrio da Basílica de São Marcos, em Veneza, as bases de mármore das antigas colunas estão a racharProcuratoria di San Marco

A primeira fase do projeto para proteger a Basílica de São Marcos da subida das marés foi concluída em dezembro passado.

Nela foram instaladas barreiras de vidro à volta do perímetro, enterradas no solo e com cerca de um metro de altura.

Estas barreiras estão agora a impedir com êxito a infiltração de água na igreja, mesmo quando a praça exterior está debaixo de água.

Restaro no valor de 3,3 milhões de euros

Agora, estão em curso trabalhos de reparação e restauro dos elementos danificados pelas cheias, graças a uma subvenção de 3,3 milhões de euros do Ministério da Cultura italiano.

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"Estamos conscientes de que estamos a utilizar recursos públicos para o bem da humanidade", disse Bruno Barel, um dos sete procuradores que supervisionam a preservação histórica de São Marcos.

A empresa veneziana que está a realizar o restauro disse que irá concluir as obras dentro de dois anos e quatro meses.

Procuratoria di San Marco
Também serão realizados trabalhos na capela do Santíssimo Sacramento, no transepto sul da basílica, que ficou submersa durante a maré alta de novembro de 2019Procuratoria di San Marco

Durante a apresentação do projeto, Piana explicou que as intervenções se centrarão no revestimento de pedra do átrio, onde a cristalização salina tem sido particularmente prejudicial.

Para tal, será necessário remover as placas de mármore e "dessalinizá-las" por imersão em água desionizada.

Nas zonas em que não é possível retirar as pedras, será efetuado o mesmo procedimento com compressas repetidas.

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O piso de mosaico também será reparado através da análise de material fotográfico e de arquivo do início do século passado.

Também serão realizados trabalhos na capela do Santíssimo Sacramento, no transepto sul da basílica, que ficou submersa durante a maré alta de novembro de 2019.

As decorações em mosaico dos séculos XII e XIII, na base do altar da capela, serão objeto de um restauro através da remoção da argamassa danificada, da neutralização do sal presente nos azulejos e da colocação de uma base impermeável.

"A colocação destas secções respeitará as ondulações e inclinações das superfícies iniciais", garante Piana.

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