Celebrar uma data redonda, com a vigésima edição, é o mote para um festival com mais dias que o habitual e mais salas: são muitas as novidades e os clássicos na edição deste ano do festival de cinema mais aterrador de Portugal.
Se andar pelo centro de Lisboa a partir desta quinta-feira, dia 3, até ao dia 13, pode correr o risco de ouvir gritos vindos de uma sala de cinema: começa mais uma maratona de terror com o regresso do MOTELX, desta vez em formato alargado. Pela primeira vez, o festival dura dez dias e ganha mais espaço ao juntar à casa de sempre, o Cinema São Jorge, uma segunda sede, a da Cinemateca Portuguesa. Este crescimento tem uma razão, já que há uma data redonda a comemorar: a edição número 20.
O festival dirigido por João Monteiro e Pedro Souto atinge uma maturidade respeitável e tem vindo gradualmente a ganhar importância desde a primeira edição em 2007.
Este ano, a sessão de abertura reserva-nos o filme Drag (EUA), de Raviv Ullman e Greg Yagolnitzer, com produção de Danny DeVito. O programa inclui um ciclo de homenagem ao realizador italiano Sergio Martino, mestre do giallo, que virá receber a "estatueta Mestre do Terror" e a celebração do centenário do nascimento de Roger Corman, convidado na edição de 2017, que será homenageado na pessoa da viúva Julie Corman, outra das convidadas de honra do festival. O prémio Noémia Delgado, que o MOTELX instituíu no ano passado para homenagear mulheres que se destacaram no género, é entregue à luso-sueca Solveig Nordlund, realizadora de filmes como Aparelho Voador a Baixa Altitude (2002), baseado na obra de JG Ballard.
A secção "Serviço de Quarto", em que se concentram os filmes mais chamativos, inclui películas como Fuck My Son! (EUA), de Todd Rohal, que o festival apresenta como "uma comédia X-rated de mau gosto", AnyMart (Japão), de Yusuke Iwasaki, que expõe o lado sombrio do mundo laboral japonês, ou ainda duas coproduções belgo-francesas: Species_,_um body horror de Marion Le Correller e The Birthday Party, de Léa Mysius, com Monica Bellucci na interpretação. Estes dois filmes são também candidatos ao Meliès d'Argent para melhor filme europeu, a par de Bloody Tennis, de Nikias Chryssos (Alemanha), Bodyhackers, de Carlos Conceição (Portugal), Ferine, de Andrea Corsini (Itália), No Rest for the Wicked, de Kasper Kalle (Dinamarca), e The Rest of It, de María Martínez Bayona (Reino Unido/Espanha/Noruega).
O MOTELX deste ano traz ainda para o grande ecrã um ciclo sobre o cinema de terror feito nos países da Europa de Leste durante a vigência dos regimes comunistas, com o título Lost in Europe: o Terror por Detrás da Cortina de Ferro, com filmes da URSS, Jugoslávia, Checoslováquia e República Democrática Alemã. Destaque, finalmente, para a oportunidade para ver ou rever alguns clássicos, como a versão de 1979 de Nosferatu com assinatura de Werner Herzog e Klaus Kinski no principal papel ou o infame NEKromantik, de Jörg Buttgereit (1988), considerado um dos filmes mais chocantes de sempre.